Comissão do S. Francisco está preocupada com saúde do bispo
A segunda greve de fome do bispo de Barra, dom Luiz Flávio Cappio, que hoje completa dez dias, em protesto contra o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco, voltou a ser discutida na Comissão Especial do Rio São Francisco, ontem pela manhã, na Assembléia Legislativa, e ficou decidido que os membros do colegiado irão recorrer ao governador Jaques Wagner.
O líder do bloco da maioria na Casa, deputado Waldenor Pereira (PT), já foi procurado para agendar um encontro imediato dos parlamentares da comissão com o governador, pois foi o próprio Jaques Wagner, quando ministro das Relações Institucionais, que negociou pelo governo o fim da primeira greve de fome realizada pelo bispo contra a transposição de águas do Rio São Francisco para outros estados do Nordeste.
O presidente do colegiado, deputado Misael Neto (DEM), fez um amplo relato da sua visita ao religioso no município de Sobradinho, mais precisamente na capela de São Francisco e, pelo fato de o bispo estar irredutível na sua oposição ao projeto, voltou bem mais preocupado.
Misael destacou a visita do cardeal dom Geraldo Majella e outros bispos a dom Luiz Flávio Cappio também com o objetivo de intermediar esta situação, pois a preocupação geral na região é que a greve de fome possa levá-lo à morte. A situação tende a se agravar, pois o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, assinou esta semana quatro contratos para execução das obras de transposição.
"Seria muito importante que as forças do Exército que estão preparando o local para o início das obras saíssem dos eixos norte e leste da região, até que se consiga uma solução para este sério problema", desabafou o deputado Misael Neto.
Achando que a situação é mais grave do que se imagina, pois as duas partes estão irredutíveis, o deputado Luiz Augusto (PP) demonstra não somente muita preocupação com o estado de saúde do bispo, como também muita ansiedade para a comissão ser recebida imediatamente pelo governador Jaques Wagner. Luiz Augusto lembra que a comissão jamais se omitiu a respeito deste problema: "Estamos aguardando que o governador se manifeste, como fez quando era ministro, a pedido do próprio presidente Lula. Dom Cappio só admite interromper a greve de fome com interrupção das obras e o governo federal desta vez não admite aceitar esta proposta", conclui Luiz Augusto.
REDES SOCIAIS