Discussão foi promovida pela Comissão de Educação da Assembléia
“Dois amigos, que estavam em um barco no qual existiam diversos buracos dos mais variados tamanhos, discutiam sobre de quem era a responsabilidade, enquanto a embarcação ia afundando. Depois, eles tomaram consciência de que se encontravam no mesmo time e resolveram remar juntos. E se salvaram”. Após contar esta parábola em audiência pública promovida pela Comissão de Educação, presidida por Zilton Rocha (PT), para debater a questão do Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Bahia (Ceped), o gerente de informação e gestão pública da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica, Alceu Castello Branco, afirmou que a história se encaixava perfeitamente na situação do órgão que já foi um centro de referência nacional e internacional e hoje está relegado a ao esquecimento, sem autonomia nem orçamento próprio.
“Nós precisamos entender que estamos todos do mesmo lado”, destacou, conclamando os servidores, os representantes do governo e empresários a pensar e implementar soluções para o Ceped. Ele disse que a Associação, que reúne mais de 200 instituições, está à disposição para colaborar no que for necessário. E uma das contribuições ele começou a dar ontem mesmo, fazendo uma palestra na qual diagnosticou o quadro atual da pesquisa, do ambiente competitivo, das oportunidades e desafios, além dos novos padrões de financiamento e dos modelos baseados em redes e conexões.
Alceu Castello ressaltou que os problemas tecnológicos não tem mais fronteiras e os novos formatos institucionais devem ser pensados de forma inovadora para ajudar a vencer as desigualdades regionais. Quanto aos recursos, ele informou que os valores no setor deverão dobrar até o ano de 2010, passando de pouco mais de R$ 300 milhões para quase R$ 700 milhões.
RESGATE
Logo após a palestra de Alceu Castello, foi a vez do ex-presidente do Ceped fazer uma breve histórico da instituição, destacando o papel que ela desempenhou no processo de industrialização da Bahia. “O órgão foi praticamente auto-suficiente por mais de 15 anos, com laboratórios de ponta. Graças ao Ceped é que temos hoje uma Caraíba Metais”.
Os representantes das secretarias de Planejamento e de Ciência e Tecnologia e Inovação, Gilberto Almeida e Paulo Pontes, respectivamente, garantiram que o governo da Bahia está aberto ao diálogo e que estudará a questão sem atropelos, ao contrário do que era feito nos governos anteriores. O atual diretor do Ceped, Adalberto Luíz Cantalino, apresentou as propostas que pretende implementar, principalmente captando recursos e trazendo projetos para “definir um novo foco de atuação do órgão”.
Já o representante dos servidores, Joselito da Luz, denunciou que a partir do final da década de 80, foi “implantada um política de extinção da inteligência baiana, com a perversa política do estado mínimo”. Ela garantiu, porém, que “eles conseguiram destruir a estrutura, mas não o saber”. No final, ele reivindicou que o governo de Jaques Wagner “assuma o Ceped enquanto projeto de Estado”.
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