Empresa Comtech recebeu mais de R$ 11 milhões em três anos
Na reta final dos trabalhos, a CPI que investiga irregularidades na Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) ouviu ontem o empresário Eduardo Azevedo, dono da empresa da informática Comtech. Entre 2002 e 2006, a empresa recebeu da Ebal cerca de R$11,6 milhões em contratos de locação e manutenção de equipamentos, informatização de lojas da Cesta do Povo no interior do estado, ampliação de pontos de atendimento, dentre outros serviços. A Auditoria Geral do Estado (AGE) levantou diversas questões acerca da relação entre Comtech e Ebal, a exemplo de ausência de licitações e pagamentos indevidos.
Também deveriam ser ouvidos ontem os empresários Roberto Santana e Nadjaí Araújo, mas eles não compareceram por conta de compromissos assumidos anteriormente fora do estado. Os depoimentos dos dois ficaram marcados para a próxima quarta-feira, quando a CPI deverá encerrar a fase de oitivas. Neste dia, o relator da CPI, deputado Zé Neto (PT), ficou de apresentar as últimas solicitações sobre quebra de sigilos bancário e fiscal dos envolvidos nas investigações.
Zé Neto se comprometeu também a apresentar um pré-relatório para os integrantes da comissão no próximo dia 05 de fevereiro. A idéia é que, durante o recesso parlamentar, o deputado petista conclua seu relatório final, que deverá apresentar no dia 15 de fevereiro, quando tem início o novo ano legislativo. A votação do relatório está marcada para o dia 20 do mesmo mês. Isso só será possível por conta da ampliação do prazo para o encerramentos dos trabalhos da CPI, aprovado na semana passada.
No final da sessão de ontem, Zé Neto afirmou que a cada dia cresce a sua convicção de que a CPI da Ebal contribuirá para marcar uma nova concepção de Estado. "O resultado de nossas investigações servirá de norte para que não sejam repetidos os mecanismos de burlas dos processos licitatórios, como aconteceu na Ebal", afirmou. Na avaliação do relator, as irregularidades que aconteceram na Ebal foram semelhantes às identificadas pela Polícia Federal na Operação Jaleco Branco.
O depoimento do empresário Eduardo Azevedo transcorreu sem maiores polêmicas. A empresa Comtech venceu nove licitações na Ebal. Em sua defesa, o empresário garantiu que os preços apresentados pela Comtech nessas licitações foram, em média, 47% menores do os apresentados pelas concorrentes. Ele garantiu ainda que todos os serviços contratados pela Ebal foram efetivamente realizados.
Para mostrar que não havia irregularidades, o empresário relatou que continua prestando serviços para a Ebal na atual gestão. Segundo ele, a Comtech ainda possui cinco contratos em vigor com a Empresa Baiana de Alimentos. Ele admitiu, no entanto, que negociou um desconto de 10% para a Ebal, reduzindo dessa forma sua margem de lucro.
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