Parlamentares reafirmam solidariedade à luta do religioso
A decisão do bispo de Barra, dom Luiz Cappio, de retomar na última terça-feira a greve de fome contra a transposição do Rio São Francisco foi a pauta da reunião de hoje da Comissão Especial do Rio São Francisco da Assembléia Legislativa. Na sessão, presidida pelo deputado Misael Neto (DEM), os deputados demonstraram solidariedade em relação à luta do bispo contra a transposição do rio, como também preocupação com a saúde do religioso e a viabilidade do controvertido projeto de transposição.
O deputado Zé das Virgens (PT) revelou grande temor em relação à saúde do bispo e propôs que membros da comissão se desloquem com a máxima urgência para tentar intermediar um acordo que demova o bispo da greve que pode lhe custar a vida. "O bispo é um líder religioso, mas também é um ser político, e nesse momento é essencial dialogar para saber se existe uma margem de negociação que evite que essa situação tenha um final que nenhum de nós deseja", afirmou o deputado, ressaltando que o governo federal precisa deixar mais claras, para a sociedade, as questões sobre a revitalização do rio e o destino da água transposta.
Na carta enviada pelo frei Luiz Cappio ao presidente Lula, o religioso afirma que o diálogo que permitiu o fim da primeira greve em novembro de 2005 foi apenas iniciado, mas logo interrompido. "O senhor não cumpriu sua palavra. O senhor não honrou nosso compromisso. Enganou a mim e a toda a sociedade brasileira", acusou o religioso, afirmando em seguida que o seu jejum e oração será retomado até que sejam suspensas as obras, com a retirada do Exército dos eixos norte e leste, e que haja o arquivamento definitivo do Projeto de Transposição das Águas do Rio São Francisco.
Os deputados Paulo Rangel (PT), Luís Augusto (PP), Elmar Nascimento (PR), Luís de Deus (DEM) e Roberto Carlos (PDT), que participaram da reunião, foram unânimes em relação às críticas ao Projeto de Transposição, mas concordaram que a prioridade, no momento, é saber qual foi o acordo feito com o bispo para que a primeira greve fosse suspensa e quais os pontos que não foram atendidos para que ele retomasse o protesto.
Com esse intuito, foi aprovada uma visita oficial da comissão, representada por alguns deputados, a dom Luiz Cappio, na próxima sexta-feira. Mas antes disso, a Comissão decidiu primeiro ouvir o Cardeal dom Geraldo Majella Agnelo, Arcebispo Primaz do Brasil, para saber a posição oficial da Igreja sobre o assunto e também agendar, para antes do encontro com frei Cappio, uma audiência com o governador Jaques Wagner, que em 2005 era ministro das Relações Institucionais e foi o enviado do governo Lula para negociar, com sucesso, o fim do primeiro protesto do bispo.
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