MÍDIA CENTER

Litoral Norte ainda em debate

Publicado em: 14/11/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

Comissões de Infra-estrutura e Meio Ambiente receberam presidente do CRA, Beth Wagner
Foto:  

Comissões de Infra-estrutura e Meio Ambiente medeiam impasse
Questões relacionadas às áreas de competências dos órgãos ambientais e o impasse que o embargo de licenciamento de empreendimentos do Litoral Norte vem provocando na mídia e na opinião pública foi amplamente debatido ontem, na audiência pública promovida conjuntamente pelas comissões de Infra-estrutura e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa. "Buscamos posicionamentos claros tando em relação às competências quanto em relação ao entrave que vem prejudicando o desenvolvimento sustentável do Litoral Norte", frisou Junior Magalhães (DEM), presidente da Comissão de Infra-estrutura.
Junior deixou claro que não é objetivo das comissões alimentar uma disputa entre os empresários e o governo. Para ele, as discussões que a AL tem feito sobre esse tema mostram a necessidade urgente de uma reformulação das leis ambientais, para que os empresários saibam quais as normas para se investir no estado. Nelson Leal (PSL), presidente da Comissão de Meio Ambiente, pediu mais celeridade nas informações e a desburocratização das regras.
Estas idéias também foram defendidas por Beth Wagner, diretora geral do CRA – Centro de Recursos Ambientais. "É necessário que a gente racionalize, não há necessidade de tanta burocracia. Isso não significa qualidade", destacou Beth, afirmando que é premente a necessidade de novas contratações para que o serviço seja mais ágil. Segundo ela, apesar de ter sido praticamente dobrado, o quadro de funcionários responsáveis pelos licenciamentos é minimo. "No ano que vem vamos realizar concurso público para contratar 180 novos funcionários. É preciso parar de brincar de licenciamento ambiental", frisou.
Beth salientou ainda que o empreendimento, gerido pelo grupo português Reta Atlântico, na Reserva de Imbassaí , é o único caso de conflito que vem ocorrendo em todo o estado e afirmou que o CRA está seguindo uma orientação do Ministério Público e de órgãos competentes. Em relação ao que está sendo noticiado na mídia, Beth afirmou que a área de meio ambiente não pretende ser notabilizada como a área que vai obstruir o desenvolvimento do estado. "O Brasil é especialista em equilibrar antagonismos e é esta postura que adoto na CRA", frisou.

LICENCIAMENTO

As questões que envolvem as áreas de competências e de atuação dos órgão do Poder Executivo como Cepram, Conselho Estadual de Proteção Ambiental, Conama, Conselho Nacional do Meio Ambiente, dentre outros, gerou controvérsia na audiência.
Para Euberlândio Guimarães, advogado do grupo Reta Atlântico, o Cepram, órgão que zoneou e estabeleceu normas para a atuação na Área de Proteção Ambiental, APA Litoral Norte, não tem esta competência. "Este órgão pode oferecer instrumentos de natureza técnica e aplicabilidade da lei. No entanto, ele tem ultrapassado os limites das atividades legais", destacou, salientando que as determinações efetuadas pelo órgão ferem o direito de propriedade, portanto a Constituição federal.
Já Sérgio Mendes, do Núcleo Mata Atlântica do Ministério Público, defende a atuação dos órgãos executivos neste área. Segundo ele, a Constituição da República, no artigo 225, estabelece que é dever do poder público criar áreas especiais. Em concomitância com este pensamento, ele cita o Projeto de Lei da SNUC, Sistema Nacional de Unidade de Conservação, que assegura que a APA Litoral Norte é uma delas.



Compartilhar: