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Caravana São Francisco na Bahia

Publicado em: 03/09/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

Caravana desembarca na Assembléia para combater transposição do Rio São Francisco
Foto:

Grupo percorre cidades para combater a transposição do rio

A Caravana São Francisco, formada por promotores, técnicos especializados em recursos hídricos, representantes de movimentos sociais e da população ribeirinha ao Velho Chico participou, ontem, de um reunião com parlamentares da Assembléia Legislativa, presidida pelo deputado e presidente da Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Serviços Públicos, Zilton Rocha (PT), no Plenarinho. Mais de 15 parlamentares de diversos partidos participaram da reunião.
 Os ativistas já passaram por Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e depois Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Paraíba e agora foram recebidos em Salvador. A caravana ainda vai seguir para Sergipe e Alagoas. Segundo o presidente do Comitê da Bacia do São Francisco, Tomaz Machado, a idéia é tornar nacional o debate sobre a transposição.
 Segundo Machado, o objetivo da caravana é reiterar que a transposição do São Francisco não pode ser feita – embora já em execução – sem o aprofundamento da discussão quanto a sua viabilidade técnica e econômica e com o seu licenciamento ambiental sendo questionado, inclusive com 14 processos, que tratam de irregularidades, tramitando no Supremo Tribunal Federal.
 Tomaz Machado afirmou que ficou claro nas viagens da caravana que os Estados do Ceará e Rio Grande do Norte não têm problemas no quesito de quantidade de água. “Há um acúmulo de água suficiente. Com uma boa gestão e obras pontuais eficientes é possível atender até a população mais dispersa”, afirmou, ressaltando que no Ceará há um esforço da elite econômica para que a transposição aconteça e a água seja usada com fins comerciais.
 Já na Paraíba e em Pernambuco foi constatado pela caravana que existe mesmo um déficit de água, mas que não será resolvido com a transposição, que, segundo Tomaz, tem voltado 70% do seu projeto para a finalidade comercial e não para o consumo humano. “Fizemos um mapeamento e o estudo revelou que, com a metade do custo da transposição, poderíamos fazer 530 obras, beneficiando 1300 municípios e 34 milhões de pessoas”, afirmou Machado.

POLÊMICA

 O presidente Marcelo Nilo, que participou de parte da discussão, afirmou que a obra é polêmica e que ele tem percebido que o governo decidiu fazer o obra e que a sociedade civil tem se organizado para que o projeto seja melhor avaliado. “Pessoalmente, acho um absurdo essa obra ser tocada a toque de caixa sem uma maior discussão com a sociedade”.
 Marcelo Nilo afirmou que foi ao Ceará e dialogou com várias pessoas que, apesar de serem possíveis beneficiados, são contrários à obra por achar que existem formas mais baratas de se levar a água para a população que precisa. “O valor da obra parece ser muito maior do que se fossem feitos investimentos em obras menores, mais baratas e com melhores resultados”, afirmou
 O presidente colocou à disposição dos ativistas a TV Assembléia para que possam falar à população baiana sobre as suas posições em defesa do São Francisco. “É belo esse gesto de agregar tantas pessoas de vários Estados e posições políticas por uma causa em que acreditam, uma luta que há muito não se via, o povo lutar contra uma obra cara em relação ao seu resultado final. É preciso se encontrar outros meios mais baratos e com mais eficácia”, completou.



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