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Recordações Históricas de Braz do Amaral é relançado pela AL

Publicado em: 27/08/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

Livro do historiador Braz do Amaral foi lançado em 1921
Foto:  

Livro do historiador baiano é reeditado em parceria com Academia
A 2ª edição de Recordações históricas, livro que o historiador baiano Braz Hermenegildo do Amaral (1862-1949) publicou pela primeira vez em 1921, na Cidade do Porto, em Portugal, será lançada no dia 06 de setembro, a partir das 17h, na Academia de Letras da Bahia (Palacete Góes Calmon, avenida Joana Angélica, 198, Nazaré, telefone 3321 4308). É a 16ª obra co-editada pela Academia e pela Assembléia Legislativa do Estado da Bahia.
Braz do Amaral foi deputado federal entre 1924 e 1930. Por coincidência, o convênio entre a Academia e a Assembléia publicou outros três autores que também foram parlamentares: Pedro Calmon (Bala de ouro, Malês, a insurreição das senzalas, e Figuras de azulejos), Ruy Santos (Ao tempo do governo Conceição) e Jorge Calmon (co-autor de Apontamentos para a história da imprensa da Bahia).

                                            BRAZ DO AMARAL

Este baiano nascido na segunda metade do século XIX é filho de um militar que lutou na Guerra do Paraguai e foi condecorado. Braz Hermenegildo do Amaral, que tem o mesmo nome do pai, atuou, segundo os registros a seu respeito, desde cedo como professor e assim ajudou a custear os seu estudos na Faculdade de Medicina. Ali, por concurso, veria a ser depois um dos lentes ilustres ao ocupar as cadeiras de Patologia Interna e Clínica Cirúrgica.
O professor Braz do Amaral, além aulas na Faculdade de Medicina, também ensinou história do Brasil e história universal no Colégio Estadual da Bahia, de onde se aposentou em setembro de 1936, numa solenidade em que se inaugurou ali o seu retrato a óleo. No prefácio à segunda edição de Recordações históricas, a presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia acentua que o autor “gostava de ensinar, sendo assíduo e competente no exercício docente. Por isso, adquiriu o respeito e a consideração de colegas e discípulos”.
Ele foi um dos criadores do Instituto Geográfico e Histórico, de onde foi o orador oficial por vários anos. Em dois de fevereiro de 1949, quando faleceu, aos 87 anos, estava à frente da comissão organizadora do I Congresso de História da Bahia, que se instalaria dias depois durante as comemorações do IV Centenário da Cidade do Salvador. Foi, também, sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Além disso, Braz do Amaral foi, em 1917, um dos fundadores da Academia de Letras da Bahia, ocupando a cadeira 4, cujo patrono é o poeta e historiador Sebastião da Rocha Pita.
O professor Braz do Amaral passava dos 60 anos de idade quando ingressou no Legislativo federal. Foi deputado, no Rio de Janeiro, nas legislaturas de 1924-26, 1927-1929 e não chegou a completar o terceiro mandato, iniciado em 1930, por causa da revolução tenentista. Ele prestou relevante serviço ao governo da Bahia ao sanar querelas em torno dos limites territoriais da Bahia com os estados de Sergipe, Espírito Santo e Pernambuco. O autor de Recordações históricas também foi professor e diretor da Escola de Belas Artes e do Liceu de Artes e Ofícios.
Ele é o autor de vários livros seminais sobre a Bahia, mas são também inspiradoras da gratidão de muitos historiadores as ações decisivas dele no sentido da edição, com suas anotações, das Cartas soteropolitanas, de Luiz dos Santos Vilhena, cujos originais manuscritos ele localizou na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e a segunda edição, em seis volumes, das Memórias históricas e políticas da província da Bahia, do coronel Ignácio Accioli, igualmente anotadas. As duas publicações saíram do prelo da Imprensa Oficial do Estado.

                                                CONVÊNIO 
 
Em 10 de junho passado, A Assembléia Legislativa renovou o convênio com a Academia de Letras para prosseguir a publicação de obras sobre a Bahia. Ele completará 10 anos em 2008. A primeira obra publicada pelas duas instituições foi a segunda edição do romance histórico Bala de ouro, de Pedro Calmon, hoje tão rara quanto os exemplares da primeira edição de 1947. Nos nove anos do convênio, tem predominado os livros de história da Bahia, de modo que dois outros livros de Pedro Calmon  – Malês, a insurreição das senzalas e Figuras de azulejo – ganharam novas edições, respectivamente, em 2002 e 2006.
Além dos três livros do escritor Pedro Calmon, o convênio patrocinou outras obras no campo da história: em 2001, Cipriano Barata na Sentinela da Liberdade, do professor Marco Morel, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ –; em 2005, Apontamentos para a história da imprensa na Bahia, de Jorge Calmon e outros autores; e A primeira gazeta da Bahia: Idade d’Ouro do Brazil, da professora Maria Beatriz Nizza da Silva.

Cronologia de Braz  Amaral

1862 Nascimento, em 02 de novembro, em Salvador
1886 Formatura em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia
1889  Especialização em Cirurgia pela Faculdade de Medicina da Bahia
1890 Especialização em Anatomia e Fisiologia Humana e Antropologia
1891 Lecionou, até 1909, História no Instituto Oficial, depois denominado Colégio Estadual da Bahia
1894  Foi um dos fundadores do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia
1896 Estreou como orador oficial do Instituto Geográfico da Bahia
1902 Empossado no cargo de lente (professor) de Patologia Cirúrgica na Faculdade de Medicina da Bahia
1912 Viagem a Paris com Luiza, sua filha.  Foi a Portugal pesquisar no Arquivo Ultramarino e no da Torre do Tombo sobre as questões referentes aos limites entre a Bahia e outros estados, como ES  e SE
1913 Foi mediador nas questões de fronteiras entre Sergipe e Bahia
1915 Aposentou-se como professor secundário com 53 anos
1917 Assume, como fundador da Cadeira 4, uma das vagas da cente Academia de Letras da Bahia
1919 Professor de História do Brasil e Universal. Assinou neste ano os acordos que fixaram os limites da Bahia com os estados de Goiás, Piauí, Minas Gerais
1920 Viagem à Europa, onde representou a Bahia na Conferência dos Limites
1922 Publicação das Cartas de Vilhena, copiadas de manuscritos da Biblioteca Nacional  (RJ)
1924 Desempenha o seu primeiro mandato como deputado federal
1925 Embarcou para a Europa no navio Bagé
1926 Embarcou para o Rio de Janeiro no navio Duque de Caxias
1927 Embarcou para o Rio de Janeiro
1930 Deixou o Congresso Nacional com a Revolução; representou a Bahia na Conferência de Limites
 Embarcou para Europa no paquete General Osório
1931 Chegou da Europa no navio Almirante Alexandrino                              
1933  Presidente da Academia de Letras da Bahia
1936 Seu retrato foi inaugurado no Ginásio da Bahia
1949  Foi escolhido para presidir a Comissão Organizadora do I Congresso de História da Bahia e do IV Centenário da Fundação da Cidade de Salvador.
 Falece, em Salvador, com 88 anos, no dia 2 de fevereiro.



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