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Chumbo ainda continua neles

Publicado em: 24/08/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

Contaminados pelo chumbo da Cobrac, em Santo Amaro da Purificação, têm sessão na AL, pedida pelo deputado Álvaro Gomes
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Contaminados pela Cobrac, em Santo Amaro, têm sessão na AL
A Assembléia Legislativa realizou ontem sessão especial para discutir a contaminação de trabalhadores de Santo Amaro da Purificação por metais pesados. No plenário e nas galerias, pessoas daquela cidade ansiosas por uma solução que, por todos os pronunciamentos da tarde, parece ainda distante. O problema é antigo, desde 1960, quando a Companhia Brasileira de Chumbo (Cobrac) se instalou na região para explorar chumbo. A empresa, uma subsidiária da francesa Penarroya, não realizou o manejo adequado do produto nem dos rejeitos, encerrando suas atividades em 1993, tendo faturado US$450 milhões.
“Os 'malditos' foram embora, mas 'o horror do progresso' é sentido até hoje pela população de Santo Amaro”, enfatizou o deputado Álvaro Gomes (PCdoB), citando música de Caetano Veloso. Proponente da sessão, ele foi o primeiro a discursar e apresentou um amplo painel da situação: já em 1960, animais começaram a morrer no entorno. Depois foram os trabalhadores que lidaram com o pó de chumbo e em seguida suas esposas, que lavavam seus uniformes. Há bastante tempo toda a cidade está exposta. Os rejeitos largados a céu aberto poluem o solo, o Rio Subaé e o lençol freático. As escórias foram usadas para calçamento de ruas, casas e escolas. Muitas crianças já estão também contaminadas.
Um quadro semelhante foi encontrado e descrito há 30 anos pelo jovem repórter Emiliano José, atual suplente de deputado federal, na matéria “Chumbo Neles”, no jornal alternativo Invasão. Data desta época também as primeiras pesquisas do professor de medicina preventiva Fernando Carvalho, que detectou assombrosa taxa de chumbo no sangue dos trabalhadores. O diretor da 1ª Dires, Jack Tinoco, também acompanha o caso de perto e acusa: o problema era conhecido, mas a empresa fez o que fez porque o Estado se dobrou ao poder econômico.
“É preciso reaprender a se indignar, lutar, sonhar e acreditar”, conclamou Álvaro Gomes indignado com a situação em que nenhuma indenização foi paga e as pessoas afetadas nem mesmo contam com a cobertura da Previdência Social. Representando as muitas “viúvas do chumbo”, Rita Ribeiro, pediu “olhem o nosso semblante e vejam nosso sofrimento”, reivindicando uma assistência médica para tratar as seqüelas.



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