O deputado Carlos Ubaldino (PSC), demonstrando preocupação com o crescente apelo nacional de produção de etanol, a partir de culturas agrícolas, apresentou à Mesa Diretora da Assembléia Legislativa projeto de lei que dispõe sobre a obrigatoriedade das usinas de cana-de-açúcar, no estado da Bahia, tornarem disponível 10 % da área desta monocultura para a plantação e conservação de árvores frutíferas e nativas.
Na justificativa desde projeto, o deputado enfatizou que as reservas petrolíferas mundiais vêm passando por constantes crises. Para evidenciar este aspecto, ele citou os estudos realizados por Francisco Carlos Teixeira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, intitulado, "A geopolítica mundial do petróleo". Neste, o professor aponta os cinco choques do petróleo na economia mundial e as transformações ocorridas nas reservas estratégicas deste produto.
Segundo o parlamentar, os pontos abordados no estudo demonstram claramente que países como Estados Unidos, China, Rússia e outras potências mundiais, que detêm consideráveis reservas petrolíferas, estão buscando outras fontes de energia e combustíveis renováveis, sem ter que destruir suas reservas florestais e a biodiversidade.
PREOCUPAÇÃO
No entanto, afirmou o deputado, nenhum país que tenha ou pretenda manter uma reserva estratégica de petróleo está interessado em devastar suas florestas, seus mananciais bio-energéticos e lençóis freáticos, plantando milho e cana-de-açúcar para produzir etanol em larga escala. "Esta é a nossa maior preocupação", salientou Carlos Ubaldino, enfatizan-do que, sob a alegação de estarmos realizando um fabuloso negócio em nível econômico, poderemos comprometer todo o ecossistema visando ao plantio de cana-de-açúcar.
Para o parlamentar, a reserva de 10% de área para o plantio de árvores nativas irá fixar a fauna local e auxiliará na manutenção da "parte saudável do pulmão da floresta. "Caso não adotemos esta postura, corremos o risco de sermos transformados em fornecedores exclusivos de etanol, em detrimento do desmatamento de nossas reservas florestais", concluiu.
Os critérios adotados para a escolha da plantação e conservação das árvores serão mediados pelo Ibama, pela Secretária de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Semarh, e pelo Centro de Recursos Ambientais, CRA.
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