Ex-diretor de operações foi ouvido ontem pelos parlamentares
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades na Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) entrou numa nova fase ontem com o depoimento de José Mário Galvão, ex-diretor de operações da empresa. Ele foi convocado, na condição de indiciado, para explicar denúncias de irregularidades nos fretes contratados pela Ebal para o transporte de mercadorias para as 415 lojas da Cesta do Povo espalhadas por todo o estado, setor pelo qual era responsável.
Até o momento, os trabalhos da CPI estavam concentrados nas obras de reforma e ampliação das lojas da Cesta do Povo e na adaptação do imóvel onde funciona a fábrica do Programa Nossa Sopa. Essas intervenções eram feitas com base em um contrato firmado entre a Ebal e a Organização do Auxílio Fraterno (OAF), que terceirizava as obras para empreiteiras, sem licitação. Essa fase das investigações depende agora da quebra dos sigilos fiscal, telefônico e bancário dos principais envolvidos e da análise das planilhas, encaminhadas pelas empreiteiras, por técnicos especializados.
Enquanto isso não acontece, os integrantes da CPI iniciaram as investigações sobre os fretes, a compra de mercadoria para revendas e o controle operacional do estoque. Na sessão de ontem, por exemplo, o relator da CPI, deputado Zé Neto (PT), trouxe relatórios do Tribunal do Contas do Estado (TCE) que apontam diversas irregularidades no transporte de mercadoria por parte da Ebal. Dentre elas, a ausência de informações nas notas fiscais sobre o peso da mercadoria transportada e sobre a distância percorrida.
SEM CONTROLE
"O depoimento mostrou que não havia controle dos fretes utilizados pela Ebal, como constatou o TCE por diversas vezes. Os relatórios do tribunal, por anos seguidos, apontaram irregularidades que vinham desde a falta de quilometragem dos fretes feitos, passando pela falta de controle e comprovação da entrega de mercadorias", observou o parlamentar.
Apesar das irregularidades apontadas, os auditores do TCE aprovaram as contas da Ebal por diversos anos consecutivos, como observou o deputado Gildásio Penedo, líder da bancada de oposição na Assembléia Legislativa. "Mesmo com algumas ressalvas, o que é totalmente normal numa administração pública, os auditores do Tribunal, que é um órgão independente, sempre aprovaram as contas da Ebal", observou o parlamentar.
PESSOAL MANTIDO
Mas, para o deputado Gildásio Penedo, a maior prova da lisura das ações realizadas pela empresa na gestão passada é que todo o quadro de funcionários que trabalham com setor de frete foi mantido pela atual administração. "Os procedimentos também continuam exatamente os mesmos", observou Penedo, para quem o depoimento dado por José Mário Galvão "foi contundente e tranqüilo".
Entre os procedimentos citados por Gildásio Penedo está a utilização das chamadas tabelas de frete. Segundo Galvão, essas tabelas continham todas as informações sobre o transporte de mercadorias requeridas pelo TCE, como a distância percorrida,o peso da carga transportada, dentre outras. "Essas tabelas são utilizadas desde a criação da Ebal e continuam sendo usadas hoje na gestão do presidente Reub Celestino", garantiu o depoente.
O ex-diretor de operações informou ainda que os mesmos motoristas de caminhão que trabalham na administração passada continuam trabalhando agora. Além de toda a equipe que trabalhava com ele, inclusive a secretária. Ainda de acordo com Galvão, ao contrário do que se pensa, a Ebal tinha dificuldade para contratar empresas de transporte, por conta do valor pago pelos fretes. "Era abaixo do mercado. Por isso, muitos motoristas autônomos preferiam trabalhar com transportadoras ou empresas do Pólo Petroquímico, que pagavam mais."
REDES SOCIAIS