"A morte calou, na sexta-feira, 20 de julho, uma das mais fortes vozes da política baiana, deixando um sentimento de dor e angústia significativa do povo baiano". A declaração é do deputado Euclides Fernandes (PDT), que apresentou uma moção de profundo pesar pela morte do senador Antonio Carlos Magalhães. Para o parlamentar, a lembrança do senador, "uma vigorosa expressão da política baiana", deixa indagações quanto ao futuro do seu grupo político no estado.
No documento, Euclides observou que ACM manteve o governo da Bahia por quase quatro décadas, nele colocando seus aliados por sucessivos mandatos. "Polêmico, combativo e desafiador, acima de tudo articulador, o senador sem dúvida soube como poucos fazer uso do carisma, da influência e do prestígio popular de que desfrutava junto ao povo baiano", afirmou ele, destacando também que ACM foi um dos mais influentes nomes no cenário político brasileiro das últimas décadas desde o regime de 1964.
Euclides diz que, apesar de não ter mantido relações políticas com ACM, o admirava "por ser um homem determinado, de personalidade forte, que defendia com veemência os seus pontos de vista. O deputado destacou também o caráter firme e competente na tomada de decisões. "Sua morte, portanto, deixa uma grande lacuna no mundo político baiano", reflete o autor da moção. Especialistas, acrescenta ele, acreditam que o carlismo se ressentirá e muito pela morte do senador, pois consideram difícil um membro do grupo preencher, com a mesma competência política, o seu lugar.
"É interessante admirá-lo também pelo homem público que foi", afirmou Euclides Fernandes, lembrando que a carreira política de ACM iniciou-se pela liderança estudantil, no Ginásio da Bahia e na Faculdade de Medicina. "Ele transformou a política numa arte, aperfeiçoando-a ao longo da vida, de forma a despertar admiração e lealdade dos aliados, respeito ou rancor dos adversários", concluiu o deputado.
REDES SOCIAIS