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Depoimento frustra CPI da Ebal

Publicado em: 19/07/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

Depoimento da secretária Geovacy Alves não trouxe ontem muitas novidades à CPI
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Convocação de ex-secretária foi "equivocada", diz oposição
O depoimento da secretária executiva Geovacy Alves, que durante oito anos trabalhou com o ex-presidente da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), Omar Brito, não trouxe ontem muitas novidades para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa. Num depoimento seguro e tranqüilo, Geovacy relatou que seu trabalho se limi-tava às funções inerentes à profissão de secretária, como agendar reuniões e recepcionar pessoas, e que, durante todo o tempo que esteve na Ebal, nunca soube de qualquer irregularidade envolvendo a gestão da empresa.

De diferente, ele afirmou apenas ter visto três vezes, no pátio da empresa, o empreiteiro José Gomes, da Comasa Engenharia - empresa responsável pela maior parte das obras da Ebal. Mas o próprio José Gomes, em depoimento anterior à CPI, já tinha admitido ter visitado algumas vezes a Ebal, embora tenha negado qualquer encontro com o ex-presidente Omar Brito ou outros membros da diretoria da empresa.

Alguns deputados consideraram equivocada a convocação da secretária e chegaram a se desculpar com Geoacy Alves. O deputado Heraldo Rocha (DEM) foi além e alertou os integrantes da comissão para que não perdessem o foco das investigações. No entanto, o presidente e o relator da CPI, os deputados Arthur Maia (PMDB) e Zé Neto (PT), respectivamente, defenderam a convocação de Geoacy e consideraram "esclarecedoras" muitas das informações dadas pela ex-secretária executiva da presidência da Ebal.

AUXÍLIO FRATERNO

"A CPI não pode, por antecipação, decidir que determinado depoimento não trará contribuições aos trabalhos", afirmou Arthur Maia, lembrando que a comissão está encerrando a fase de depoimentos sobre as relações entre a Ebal e a Organização do Auxílio Fraterno (OAF). Segundo ele, a CPI deverá iniciar logo outras fases de investigações acerca, por exemplo, da compra de mercadorias para lojas da Cesta do Povo, do frete, a publicidade da empresa, entre outros. Maia salientou, no entanto, que não se trata de fazer "investi-gações estanques", até porque as apurações devem correr paralelas.

O presidente da CPI citou, como exemplo, os pedidos de quebras de sigilo fiscal e bancário de Omar Brito e do ex-gerente de engenharia da Ebal, Leôncio Cardoso. Segundo Maia, será um processo demorado, já que os pedidos ainda estão sendo encaminhados à Receita Federal e às instituições bancárias. Depois, acrescentou o deputado, esses documentos deverão ser avaliados por especialistas no assunto e as informações obtidas deverão ser cruzadas com os depoimentos dados à CPI. "Estamos na fase de cotejamento de provas e isso está sendo feito", garantiu.

Na próxima quarta-feira, os integrantes da CPI vão fazer uma reunião administrativa para decidir os rumos dos trabalhos. Para o vice-presidente da comissão, deputado Júnior Magalhães (DEM), essa reunião será importante para que não aconteçam "novas injustiças", citando como exemplo a convocação de Geovacy Alves. Já foram aprovadas na CPI, faltando só marcar as datas, as convocações de Alexandre Galvão (responsável pela compra de mercadorias da Ebal), José Galvão de Souza (responsável pela contratação de fretes), Arnaldo Gusmão (dono da empreiteira Axxo) e Fernando Barros (diretor da Propeg).



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