Gilberto Brito pede medidas para incentivar plantio e comércio"Futuca a tuia, pega o catador,´vamo´ plantar feijão no pó"Elomar
Sempre atento às causas de interesse do sertanejo, o deputado Gilberto Brito (PR) está lutando agora para que o governo do Estado adote medidas para incentivar o plantio e a comercialização do feijão catador. Para atingir este objetivo, o parlamentar apresentou uma indicação na Assembléia Legislativa, solicitando que o governador Jaques Wagner recomende que as secretarias da Fazenda e da Integração Regional tomem as providências necessárias para a concretização de sua sugestão.
No documento, já protocolado na Secretaria Geral da Mesa da AL, ele lembra que, em 2003, conseguiu extrair do feijão uma farinha que, consorciada ao trigo, "ensejou diversos sub-produtos, como pão e hamburguer, visando agregar valor comercial e conseqüente renda para o sertanejo". Esta iniciativa, lamenta o parlamentar, padece de estímulos, pois até o momento pouco avançou na Bahia.
Agora, sugere que a Secretaria de Integração Regional, por meio da CAR, desenvolva meios próprios para disseminar a tecnologia relativa ao aproveitamento da referida farinha. Ele acredita que com a fabricação dos diversos sub-produtos daí advindos, além da geração de renda, ocorrerá também a difusão de um alimento rico em proteína e ferro, apropriado à merenda escolar. "São programas onde o poder público pode suprir carências, reduzindo ou extinguindo a miséria."
DESONERAÇÃO
Já em relação à Secretaria da Fazenda, Gilberto Brito propõe que sejam concedidos incentivos fiscais ao comércio do referido alimento, de forma a garantir a exportação de safras futuras, desonerando o produto com a redução ou total renúncia do ICMS que recai sobre a operação comercial.
"De resto, é bom lembrar que o ‘catador’, assim como as nossas culturas físicas e sociais, também se constitui, simbolicamente, em verdadeira ‘cláusula pétrea’, aquelas imutáveis na Constituição da República. Preservar o seu cultivo é, no mínimo, o que o Estado como instituição maior deve fazer. O seu fracasso pelo arruinamento econômico também acarretará gravames ao tecido social, decorrente da desocupação da mão-de-obra, fator visivelmente sentido com a fragilidade econômica da agricultura nacional, contida em seu crescimento por fatores diversos, a exemplo do câmbio; das proteções que as nações ricas concedem aos seus agricultores e tantas outras mazelas de um capitalismo desumano e cruel", argumenta o parlamentar.
O autor da indicação assinala que, por conta das repetidas estiagens e frustração de safras, em 2004 o Ministério do Desenvolvimento Agrário excluiu o ‘catador’ do zoneamento agrícola, "o que levou os agentes de crédito federais a só financiar o seu plantio sem a garantia do Proagro, comportamento jamais visto".
Gilberto Brito afirma ainda que daquela região já foi "extirpado" o bode, quando "inconscientemente foi introduzido o capim búfalo, visando dar comida ao boi. Com o advento da gramínea, a caatinga foi dizimada, literalmente extinta e, com ela a criação de "bode na solta". O deputado diz que o resultado disso é que o bode saiu de lá e ao caatingueiro só restaram dois caminhos: "A abençoada aposentadoria dos velhos, que os mantém e aos seus mais novos, e o catador que começa a capengar, necessitando de todos nós".
REDES SOCIAIS