Deputados disparam metralhadora giratória contra governo
"Se o governo não tomar alguma providência, vamos ter que declarar a insolvência completa da Polícia Civil no estado", assim declarou Soraia Pinto Gomes, diretora da Associação dos Delegados de Polícia da Bahia (ADPEB). Ela expôs, ontem, a situação da segurança na Bahia, em uma audiência pública promovida pela Comissão dos Direitos Humanos e Segurança Pública da Assembléia Legislativa.
A delegada afirmou que não existem políticas públicas claras para a segurança e revelou que houve um aumento considerável da criminalidade neste ano. Usando o mês de maio como exemplo, ela apresentou comparativos, nos quais todos os números demonstram o acréscimo da violência. Por exemplo: em 2006 ocorreram 2.795 roubos a transeuntes e, em 2007, houve o registro de 3.027.
Vários deputados demonstraram-se insatisfeitos com a atuação do governo nesta área."Ou éramos levianos ao criticar o governo passado ou somos incompetentes agora", afirmou o deputado Capitão Tadeu (PSB), ressaltando que, apesar de pertencer à base aliada, não pode ser conivente com a falta de ação. Para ele, segurança tem que ser vista como prioridade, e o governo não agindo assim "está andando na contramão da história".
Ainda de acordo com a delegada, o fato mais preocupante está relacionado com a questão orçamentária, uma vez que a verba que foi destinada para a segurança já era insuficiente e o governador ainda efetuou cortes. "Vejo a situação sombria, não temos realmente nenhuma perspectiva de suplementação orçamentária", enfatizou, destacando que existe o risco da interrupção de serviços, como alimentação de pessoas em custódia, fornecimento de combustível e manutenção de veículos.
PIADA
O delegado Pietro Magalhães qualificou de "piada" um protocolo de intenções apresentado pelo governador. Segundo ele, dentre as propostas estão inclusas a criação de 10 delegacias de proteção à mulher na capital, número que ele considera desnecessário e o retorno à ativa de policiais aposentados para serem motoristas das viaturas, fato estranhado pelo delegado, uma vez que os policias se aposentam compulsoriamente aos 70 anos.
Segundo a diretora, desde o início da atual administração, a entidade vem buscando, sem êxito, um canal para diálogo, protocolando inclusive quatro ofícios. No entanto, não obteve nenhuma resposta. Diante dessa omissão, a categoria resolveu paralisar seus trabalhos na primeira quinzena de julho.
CAOS
"Chega, chega, chega" – essa foi a expressão usada pelo parlamentar Getúlio Ubiratan (PMN) para expressar sua insatisfação com o que ele qualificou de "caos", diante da exposição feita pela diretora. Ele destacou ainda a necessidade de expor todos esse números ao governador. "O governo tem que ouvir e agir para garantir a segurança pública no estado", acrescentou.
O presidente do colegiado, deputado Fernando Torres (PRTB), informou que convocará o governador e o secretário de Segurança Pública do Estado para participar de uma audiência pública nesta comissão. "Assim eles poderão expor quais os planos do governo para segurança do nosso estado", acrescentou o presidente, informando que uma data ainda não definida.
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