Muitos foram os nomes citados ontem, na Assembléia Legislativa, durante sessão especial que antecipou o Dia Internacional de Prevenção e Combate às Drogas, que ocorre em 26 de junho. Pastores evangélicos, autoridades civis e militares, pessoas que contribuem para resgatar o semelhante da dependência química. Mas o destaque, mesmo que silencioso, foi para todos aqueles que ajudaram a lotar o plenário, tendo ido ouvir e dar o testemunho pessoal de quem venceu ou está lutando contra o vício.
O deputado Carlos Ubaldino (PSC), proponente da sessão, foi sucinto ao ocupar a tribuna para o primeiro pronunciamento da tarde, explicando que estava ali com a intenção maior de ouvir do que falar. Isso não o impediu, no entanto, de fazer comentários recheados de citações bíblicas entre um discurso e outro, procurando trazer uma palavra de força e ânimo. Ele frisou que a tarde de ontem era "uma convocação para livrar a comunidade das drogas e dizer que esta cidade tem dono, Jesus de Nazaré."
A programação previa a explanação sobre duas vertentes de abordagem ao problema, que devem interagir para criar maior sinergia. "Somos ótimos jogadores, mas ainda não formamos um time", sintetizou o capitão Portugal, membro do Hospital Geral da PM e escalado pelo comando para representar a corporação. Ele e o pastor Roberto Alves Pereira tiveram 20 minutos para trazer luzes ao tema.
SUPERAÇÂO
Pereira é professor universitário de Goiás e atualmente corre o país ministrando cursos, palestras e seminários a respeito de prevenção aos entorpecentes, com a autoridade de quem já esteve do outro lado: "Acho que o que tenho de mais importante a dizer nesta tarde é: eu sou vocês amanhã". Trata-se de um exemplo de auto-superação que se iniciou ainda na tenra idade dos 12 anos. Ele vivia nas ruas e, por oito anos seguidos, foi consumido pelo cigarro, cachaça e maconha. "Um dia fui alcançado por Jesus e já são 25 anos de abstinência" e em prol do semelhante. Atualmente, ele é ligado ao UniVida, entidade do Centro Universitário de Anápolis (GO) voltado para pesquisa, extensão pela maior qualidade de vida e prevenção às drogas. Pereira fez ainda um longo relato da atuação das Comunidades Terapêuticas Evangélicas nesse sentido. Carlos Ubaldino, por sua vez, ressaltou que a Igreja Evangélica Assembléia de Deus tem atuação nesse sentido em todas as cidades da Bahia.
A fala mansa e pausada do capitão Portugal, por sua vez, o ajudou a transitar pelo espinhoso tema que, muitas vezes, desperta mais paixão e discórdia do que compreensão e entendimento. Homem das armas, foi enfático ao descartar a expressão combate às drogas. Para ele, a saída é a educação entre as crianças e jovens e o convencimento para que digam não aos tóxicos. Em um pronunciamento bastante consubstanciado e recheado de citações, procurou fundamentar suas idéias, mostrando que, desde a pré-história, o homem tem convívio com algum tipo de psicoativo.
"Há dois caminhos que levam às drogas: a dor e o prazer", ensinou, explicando que a coação não tem o resultado contrário. Para ele, apenas a força do indivíduo é capaz de vencer o desafio e, nesse aspecto, as casas de apoio aos dependentes têm papel primordial. Em sua fala, revelou preocupação não só com as drogas ilícitas como com as lícitas, como o cigarro e o álcool. Mas explicou: "As substâncias são apenas substâncias, o problema é a motivação para o seu uso", lembrando que até mesmo o uso exagerado da água pode levar à morte.
CONSCIÊNCIA
O presidente Marcelo Nilo (PSDB) abriu a sessão ressaltando a importância da iniciativa de Ubaldino. Ele lembrou que os tóxicos são um mal que está enraizado no país e que precisa ser cortado por meio da conscientização dos jovens de um problema que atinge todos os recantos do mundo. Compuseram a mesa dos trabalhos, além dos citados, o pastor Ananias, presidente da Federação das Comunidades Terapêuticas da Bahia; pastor Alberto Bispo, presidente da Aliança das Comunidades Terapêuticas Evangélicas do Brasil (Aceb); e o pastor Ailton da Paixão, vice-presidente da Federação das Comunidades Terapêuticas da Bahia.
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