Meirelles desmente boato sobre fechamento do Balé TCA
A audiência pública com o secretário de Cultura do Estado, Márcio Meirelles, promovida ontem pela Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Serviço Público, ultrapassou seu objetivo inicial de discutir os problemas do Teatro Castro Alves e, em especial, do Balé TCA. Além desses temas, o secretário aproveitou a oportunidade para fazer uma explanação das metas e ações do novo governo para esta pasta.
Em relação à situação do Balé Teatro Castro Alves, que foi o motivo que levou o deputado Javier Alfaya (PC do B) a solicitar a audiência, o secretário disse acreditar ser extremamente proveitosa essa discussão e foi veemente em desmentir os boatos, embora tenha ido à audiência sem saber exatamente o número de bailarinos do BTCA. "Eu nunca disse que pretendia fechar o balé, essa batalha é pelo Balé TCA e não contra ele", afirmou o secretário, enfatizando que o que se pretende acabar são os privilégios individuais para poucos e não com a companhia.
A questão salarial dos bailarinos mais idosos, que não têm as mesmas condições de acompanhar o ritmo dos profissionais mais jovens, também foi levantada. Márcio Meirelles disse que, no projeto de reformulação, constam adequações para estes profissionais e o que precisa haver é uma discussão em relação a todas estas temáticas, uma vez que a sua administração é democrática e participativa.
Alice Becker, integrante do Balé, destacou a necessidade dessa audiência, uma vez que ela significa a reabertura do diálogo para uma discussão que envolva profissionais que merecem respeito. Para ela, o balé TCA não é mais um grupo de dança e, sim, uma companhia de valor internacional, que vem se preocupando com a regionalização da dança, já que vem buscando se adaptar a palcos menores para que seus espetáculos possam ser vistos nos bairros e nas cidades do interior.
Lilia Pereira, diretora do balé, concursada para esta função há 25 anos, ressaltou o brilhantismo da companhia, que recebeu críticas internacionais exaltando suas apresentações. Relatando o caráter de transformação da arte, a diretora do balé destacou as discussões, informando que todas as propostas apresentadas precisam ser avaliadas. Dina Tourinho, professora de dança do balé, disse que o que se precisa é desfazer equívocos. Para ela, no TCA ninguém se opõe à mudança, a questão está em qual vai ser o procedimento adotado para que esta mudança ocorra.
"É preciso lutar pela nova cultura da cultura. É preciso trazer a cultura para o rol das coisas comuns. Segundo ele, se o povo começar a solicitar a cultura como solicita postos de saúde e escolas, estaremos construindo uma nova cultura política", enfatizou Javier Alfaya. Já o deputado Zé Neto disse que as discussões em torno do balé devem ser permeadas pelo equilíbrio e pelo diálogo, já que esta é a marca da nova administração.
O presidente da Comissão de Educação, Zilton Rocha (PT), informou que esta nova gestão está apenas começando os seus trabalhos. "Várias discussões ainda ocorrerão, como por exemplo a lei que permite à empresa escolher a companhia, festa, ou localidade que quer patrocinar. Seria mais interessante que a própria Secretaria da Cultura escolhesse o alvo de atuação, pois só assim ocorreria de fato a descentralização dos investimentos da cultura", diz Zilton.
DESCENTRALIZAR
Segundo Márcio Meirelles, um dos principais objetivos da secretaria é coordenar a descentralização das políticas públicas da cultura no estado. Nesse aspecto já foi dado um passo importante: a criação do 1º Fórum dos Dirigentes Municipais de Cultura, que discutirá com representantes municipais e prefeituras como deverá ser a ação cultural em suas localidades. Segundo o secretário, é necessário mudar a concepção atual de que a Secretaria de Cultura serve apenas para "conseguir" patrocínio para festas. Ela buscará, principalmente, ações do estado para melhoras significativas da população.
O secretário destacou a importância de ações que já estão sendo implementadas, como a recuperação das malhas de antenas no interior, implantação de pontos de leitura, com agentes credenciados que irão enfatizar sua importância e a implementação de pólos de audiovisuais que serão responsáveis pela produção da programação. "O audiovisual deve ser visto como indústria e comércio, que gera cultura e emprego e não como ameaça" acrescentou Márcio.
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