Semana do Meio Ambiente da AL alerta para aquecimento global
O aquecimento global, provocado pelo fenômeno do efeito estufa, pode trazer sérias consequências para o Brasil, em especial para a Bahia, que possui grande parte do seu território no semi-árido. Estudo conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) revela que 32 milhões de pessoas, no Brasil, habitam áreas que podem se tornar desérticas - e, se as previsões forem confirmadas, elas serão obrigadas a abandoná-las. "Poderemos ter efetivamente um novo cenário de alteração de deslocamento de pessoas", alertou Júlio Rocha, superintendente de Recursos Hídricos do Estado, que, ontem, proferiu na Assembléia Legislativa a palestra "Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas e os efeitos do aquecimento global".
A palestra integra a programação da Semana do Meio Ambiente, realizada pela primeira vez no parlamento estadual. Promovido pela Comissão de Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos, por iniciativa da deputada Maria Luíza Laudano (PTdoB), o evento termina hoje com uma discussão sobre os desafios das políticas públicas para o desenvolvimento sustentável, tendo como debatedores o presidente do colegiado, deputado Nelson Leal (PSL); o superintendente de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Eduardo Mattedi; e participações dos biólogos Tatiana Bichara, Luiz Moraes e Raimundo Sá.
EXPOSIÇÃO
Além dos debates, a programação conta, à tarde, com exposições no saguão Josaphat Marinho, área de entrada da Assembléia. No local, ONGs expuseram os seus trabalhos com material reciclado. Dentre elas, está a Criamundo, que trouxe peças artísticas elaboradas por pacientes do hospital psiquiátrico Juliano Moreira. E o movimento voluntário Amigos do Meio Ambiente (AMA), com a exposição fotográfica e de textos, coordenada pela jornalista Liliana Peixinho, que traz informações da campanha "Desperdício Zero igual a Lixo Zero". Alunos da Unifacs, que fazem parte do laboratório de pesquisa e reaproveitamento de pneus inservíveis, também marcaram presença na mostra.
A Semana do Meio Ambiente tem ainda a parceria da ONG Anhanga Ambientalista, que ontem lançou um concurso de idéias para criação de mascote para as campanhas institucionais da entidade. O concurso deverá contar com a participação de estudantes de 100 escolas da rede estadual e particular de ensino.
CONFLITOS
Na palestra de ontem, Júlio Rocha alertou que 15% do território nacional pode sofrer os efeitos do aquecimento global, o que incluiria cerca de 1.500 municípios de 11 estados. A Bahia seria um dos mais afetados. Mesmo antes que o pior aconteça, a Superintendência de Recursos Hídricos, ligada à Semarh, já está tendo dificuldades para administrar os conflitos por água que já existem no estado. Rocha citou, como exemplo, a região de Basílio, no município de Brumado, onde a escassez de água vem gerando problemas entre os produtores rurais. "Por conta desses casos, nós estamos dando total transparência na dispensa da outorga de água para pequenas comunidades rurais."
Alguns parlamentares se manifestaram durante a fala do superintendente. O deputado Gilberto Brito (PR) sugeriu medidas simples para melhorar a vida de quem mora no semi-árido, a exemplo da criação de viveiros de mudas de espécies nativas da caatinga. Já o deputado Zilton Rocha alertou para os problemas que as carvoarias causam ao meio ambiente. Segundo informações obtidas por ele, cerca de 150 caminhões com madeira saem diariamente do município de Caetité em direção à Minas Gerais. Para Zilton, não adianta simplesmente proibir as famílias pobres da região de retirar madeira, mas oferecer também outras fontes de renda. "Temos que oferecer renda, através de programas como o Bolsa Família, e capacitação para que essas pessoas possam desenvolver outras atividades, como a apicultura", argumentou.
Concordando com as argumentações dos deputados, Júlio Rocha declarou que o principal problema enfrentado pela Superintendência de Recursos Hídricos é a falta de recursos. Ele sugeriu aos deputados que aproveitem os debates sobre o orçamento para garantir mais recursos para preservação do meio ambiente na Bahia. O superintendente defendeu ainda a implantação do ICMS ecológico. "É preciso fazer algo que mexa com o bolso das pessoas que agridem o meio ambiente", observou.
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