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Semana do Meio Ambiente na AL

Publicado em: 05/06/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

A Mata Atlântica foi debatida no primeiro dia da Semana do Meio Ambiente na AL
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A Mata Atlântica foi a estrela do primeiro dia de debates
Os remanescentes de Mata Atlântica localizados no sul e extremo sul da Bahia foram considerados, por um estudo mundial conduzido pela Conservation International, a quinta área mais importante do planeta para receber projetos de preservação ambiental. Três motivos principais levaram a essa posição: a grande biodiversidade da floresta, o alto índice de endemismo (espécies que não existem em nenhum outro lugar) e o fato de mais de 75% da vegetação já ter sido suprimida. Essas informações foram trazidas, ontem, pela bióloga Tatiana Bichara, mestra em ecologia e bio-monitoramento, ao proferir a palestra inaugural da Semana do Meio Ambiente, que acontece até amanhã, na Assembléia Legislativa.

Promovido pela Comissão de Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos, por iniciativa da deputada Maria Luíza Laudano (PTdoB), o evento tem a parceria da organização não-governamental Anhanga Ambientalista e conta com uma ampla programação, que inclui exposição e debates não só sobre a Mata Atlântica, mas também sobre tráfico de animais, aquecimento global, entre outros temas. Hoje, quem estará na AL será o superintendente estadual dos Recursos Hídricos (SRH), Júlio Rocha, para proferir uma palestra sobre o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas e os efeitos do aquecimento global.

"HOTSPOT"

Mas ontem o assunto que dominou os debates foi mesmo a Mata Atlântica. Para Tatiana Bichara, o fato da Mata Atlântica ter sido considerado um "hotspot" (termo utilizado para designar áreas críticas para conservação) é importante para conservação do bioma, já que deverá atrair investimentos de todo o mundo. Ao todo, o estudo da Conservation International apontou 21 "hotspots" no mundo. O Brasil foi o único país a ter dois "hotsposts": além da Mata Atlântica, o cerrado na região Centro-Oeste, considerada a 11a área mais importante.

"Essas colocações são positivas porque apontam essas áreas como prioritárias para conservação, mas também são negativas porque mostram o estágio avançado de degradação dessas vegetações", explicou a bióloga. Ela acrescentou que a região da Amazônia, apesar de sua importância para o planeta, não foi considerada uma "hotspot" por felizmente não ter sofrido mais de 75% de supressão de sua mata.

Diferente da Mata Atlântica, que já ocupou 15% do território brasileiro. "Hoje só existem menos de 7% da vegetação original", diz Tatiana. E o que mais preocupa os especialistas é que nenhum outro ecossistema possui a biodiversidade da Mata Atlântica. Segundo ela, em apenas um hectare (área equivalente a um campo oficial de futebol) de Mata Atlântica do extremo sul da Bahia foram encontradas mais de 480 espécies de animais e vegetais. A especialista acrescentou ainda que, para fins de conservação, são considerados como sub-sistemas da Mata Atlântica os manguezais, a vegetação de restinga e até os corais, "que são verdadeiras florestas tropicais subaquáticas". Ela citou como exemplo os corais de Abrolhos, localizados no extremo sul baiano, cuja riqueza não existe em nenhum outro local do planeta.

De acordo com ela, 31% do território da Bahia era de Mata Atlântica. Hoje, os remanescentes não chegam a nem 5% da cobertura original de floresta. E o grande problema para os animais e vegetais que habitam essas áreas – além do processo contínuo de degradação, que não parou – é que muitos desses fragmentos de florestas estão separados uns dos outros, sem qualquer conexão. Os especialistas chamam esse processo de "insularização dos fragmentos". Por conta disso, acrescenta Tatiana Bichara, há risco iminente de extinção de diversas espécies, que podem não sobreviver em áreas tão pequenas.

CORREDORES

Para resolver essa grave questão, está sendo implantado na Bahia o projeto Corredores Ecológicos, que visa à interligação dessas áreas com o plantio de vegetação nativa de Mata Atlântica. Quem falou ontem sobre esse projeto especificamente, dentro da programação de Semana de Meio Ambiente, foi o também biólogo Lander de Jesus, professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba). De acordo com Lander, o custo dos corredores ecológicos está estimado em R$ 20 milhões e conta com o financiamento do Banco Mundial e dos governos federal e estadual. "O projeto tem na Bahia uma abrangência de 218 quilômetros quadrados e atinge 133 municípios", afirmou Lander, acrescentando que o estado de Espírito Santo também integra o projeto, que "tem o objetivo de conectar física, biológica e institucionalmente as áreas de Mata Atlântica".

EXPOSIÇÂO

A programação da manhã foi concluída com uma palestra do biólogo e policial rodoviário federal Gilvan Mota, que falou sobre o tráfico de animais silvestres. De acordo com ele, esse comércio ilegal movimenta entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,5 bilhões por ano no mundo. "Só no Brasil estima-se que 38 milhões de animais são retirados de seus habitats por causa do comércio ilegal." A maior parte do tráfico é para animais de estimação, sendo seguidos de animais para coleções de zoológico e, por fim, para fins científicos (biopirataria). Segundo ele, as aves sãos as espécies mais visadas.

Durante a tarde, a programação da Semana de Meio Ambiente da AL continuou com uma exposição no saguão Josaphat Marinho, área de entrada da Assembléia. No local, ONGs expuseram os seus trabalhos com material reciclado. Dentre elas, está a Criamundo, que trouxe peças artísticas elaboradas por pacientes do hospital psiquiátrico Juliano Moreira. Alunos da Unifacs, que fazem parte do laboratório de pesquisa e reaproveitamento de pneus inservíveis, também marcaram presença na mostra.



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