Neuza Cadore e Waldenor Pereira comandaram o debate do tema
A Assembléia Legislativa realizou ontem sessão especial para discutir Políticas Públicas de Esporte e Lazer para a Bahia. O evento proposto pelos deputados Neusa Cadore e Waldenor Pereira, ambos do PT, reuniu autoridades estaduais e segmentos da sociedade ligados ao assunto. O diagnóstico apresentado no conjunto dos pronunciamentos é de que as ações do Estado estão distanciadas do anseio da comunidade. Por conta disso, os dois petistas são também signatários de indicação ao governador Jaques Wagner, propondo a criação do Conselho Estadual de Esporte e Lazer.
O primeiro discurso da tarde foi de Neusa, destacando a importância do tema, que muitas vezes, segundo ela, não recebe a devida atenção. "O nosso estado nunca se propôs a implementar uma política pública voltada para a cultura do esporte e lazer, no âmbito de uma política mais ampla de formação de jovens, especialmente para aqueles das camadas mais pobres e do interior do estado", avaliou. Como sinal de mudança, a parlamentar citou discurso do governador na abertura dos trabalhos legislativos, em que ele define o esporte e o lazer como "fatores determinantes para o desenvolvimento social do povo baiano". Neusa criticou ainda a carência histórica de verba para o setor, que detém apenas 0,04% do orçamento. Ela classificou de discretos os recursos e que, mesmo os parcos recursos só ficam na Região Metropolitana de Salvador, não havendo uma gestão democrática.
Representantes do governo do Estado, Elias Dourado, chefe de Gabinete da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), e Maurício Nery, coordenador de excelência esportiva da Sudesb, fizeram explanações que confirmaram as palavras da deputada, fazendo um relato do que vem sendo feito e o que se pretende fazer para alterar o quadro atual. "Precisamos acabar com a monocultura do futebol", enfatizou Nery, considerando que é preciso pensar o modelo de financiamento das outras práticas esportivas. Ele lamentou ter "herdado" o órgão com uma estrutura "anacrônica e esquizofrênica" e, assim como outros oradores, disse que é preciso interiorizar as ações. Elias explicou a ausência do secretário Nilton Vasconcelos, que está em Cuiabá, e disse que sua presença ali era para prestar contas e ouvir a sociedade.
O deputado Gilberto Brito (PR) ocupou a tribuna para reclamar por Maurício Nery ter classificado a situação na Sudesb de "esquizofrênica", destacando o trabalho do ex-secretário Eduardo Santos, e destacou a importância do debate. Para ele, grande parcela da juventude está voltada para as festas e o álcool por falta de incentivo ao esporte. Falaram ainda Lauro Gurgel, vice-presidente do Conselho Regional de Educação Física; César Leiro, professor da Ufba e Uneb; e Romilson Araújo, do Colégio Brasileiro de Ciência do Esporte.
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