Meio Ambiente recebeu denúncia sobre a exploração do cobre
A Comissão de Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos da Assembléia Legislativa, presidida pelo deputado Nelson Leal, foi palco, ontem, de um debate sobre a situação ambiental na região de Jaguarari, em decorrência da exploração do cobre pela Mineradora Caraíba, que tem sede na localidade. O motivo da reunião no colegiado foi uma denúncia feita pela presidente da Federação das Associações e Entidades do Semi-Árido (Faesa), Maria do Remédio Leite de Santana, de que a empresa teria cometido crime ambiental na região, prejudicando os produtores .
Ex-funcionária da mineradora, a zootecnista parabenizou o colegiado “por ter aberto a discussão sobre tão importante tema”. Ela informou que a Faesa tem 2.519 produtores cooperados e representa mais de 9 mil famílias. Dizendo-se perseguida por “questões políticas”, Maria do Remédio afirmou que existem diversas formas de degradação da natureza provocadas pela empresa. “Onde era a caatinga, hoje só temos pedra. Eles abrem trincheiras sem cerca e devastam as árvores, além de usar ácido sulfúrico sem licença para operar”, acusou.
DEFESA
Logo em seguida, conforme previamente acordado pelo presidente do colegiado, a palavra foi dada ao diretor-superintendente da empresa, Sérgio Fráguas. Ele agradeceu a oportunidade de mostrar na Assembléia que a Mineradora Caraíba tem uma tradição de transparência e que atua de forma apartidária. “Levamos riqueza e esperança ao povo sofrido do semi-árido”, disse, acrescentando que a empresa tem procurado se adaptar a tudo em relação às questões de segurança e de respeito à natureza. Sérgio Fráguas reconheceu que não há como extrair o mineral sem intervenção no meio ambiente.
Diante do impasse e das versões contraditórias, o deputado Bira Côroa (PT) sugeriu que o colegiado faça um acompanhamento das licenças concedidas pelo Centro de Recursos Ambientais (CRA); que faça uma visita técnica à região para verificar a situação in loco e promova uma ampla audiência pública para ouvir os mais diversos setores envolvidos com o problema.
As proposições apresentadas pelo petista foram aplaudidas pelos outros parlamentares, que defenderam a necessidade de ampliar o debate. Neste sentido falaram Álvaro Gomes (PC do B), Ferreira Ottomar (PMDB), Adolfo Menezes (PTB), José Nunes (DEM), Misael Neto (DEM) e Paulo Azi (DEM). Este último, aliás, fez questão de registrar que não se deve partidarizar a questão.
O presidente do colegiado, Nelson Leal, também concordou com as propostas de Bira Coroa, mas, como já havia sido acordado desde o início, a sessão não deliberou sobre o assunto, o que acontecerá na próxima quarta-feira. “Os dados aqui apresentados vão nos ajudar a uma tomada de posição. Quero ressaltar, porém, que nosso objetivo é buscar o entendimento e a harmonia”, afirmou.
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