Assembléia e Academia retomam programa editorial este mês
A segunda edição de Recordações históricas, do médico e historiador baiano Braz Hermenegildo do Amaral (1862-1949) é o 16o livro co-editado pela Assembléia Legislativa do Estado da Bahia e pela Academia de Letras da Bahia. Trata-se de uma raridade bibliográfica, sobretudo porque a publicação se deu na cidade do Porto, em Portugal, em 1921. A obra será lançada em junho, na Academia, instituição que está completando 90 anos de existência. O presidente da Casa, deputado Marcelo Nilo, dará continuidade ao programa editorial do Legislativo, resgatando obras de valor histórico e cultural relevante que estavam ameaçadas de se perder.
A acadêmica Consuelo Pondé de Sena, presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia – IGHB – é a autora do prefácio da nova edição e nele consta que o livro "contém variados estudos de Braz do Amaral, sendo dois deles inéditos e os demais já impressos no Jornal de Notícias, de Salvador. Inclui outro estudo constante dos Anais do I Congresso Brasileiro de História, além de outros divulgados nos Anais do Arquivo Público Nacional".
BRAZ DO AMARAL
O autor de Recordações históricas nasceu em 2 de novembro de 1862 e faleceu em 2 de fevereiro de 1949. Era então o presidente da comissão (do IGHB) organizadora do quarto centenário da fundação da Cidade do Salvador. Seu legado é extenso e dele, além dos estudos pessoais sobre a Bahia, salientam-se, conforme o prefácio da professora Consuelo Pondé de Sena, duas contribuições de valor:
"Deve-se-lhe o mérito da revelação das cartas de Vilhena, copiadas de manuscritos existentes na Biblioteca Nacional, em comunicação feita à Academia de Letras da Bahia, no dia 24 de outubro de 1917. Por determinação do Governo Antônio Moniz a valiosa e inédita documentação foi editada pela Imprensa Oficial da Bahia." Além disso, "as preciosas anotações ao livro Memórias Históricas e Políticas da Província da Bahia, de Ignacio Accioli, consumiram-lhe muito tempo de trabalho, porquanto são muito minuciosas e documentadas". A obra foi publicada pela Imprensa Oficial do Estado em seis volumes de 1919 a 1940.
O médico Braz do Amaral foi professor secundário de História do Brasil e História Universal do Colégio da Bahia e professor catedrático da Faculdade de Medicina. A autora do prefácio de Recordações Históricas relembra também que "após ter completado 60 anos, foi atraído pela política, alistando-se no Partido Republicano, por cuja circunstância teve oportunidade de representar a Bahia na Câmara Federal, em duas legislaturas consecutivas, 1924-1926 e 1927-1929, não chegando a completar a terceira, para a qual havia sido eleito, por conta da eclosão da Revolução de 1930. Naquela Casa Legislativa, como em outras atuações foi um deputado assíduo, competente e responsável, fosse em plenário, fosse na presidência da Comissão de Instrução Pública".
LIVROS DO CONVÊNIO
O convênio da Assembléia Legislativa do estado da Bahia com a Academia de Letras da Bahia completará 10 anos em 2008. Seu objetivo é publicar obras sobre a Bahia e assim tem sido desde o início, de modo que as duas instituições têm renovado o compromisso de dois em dois anos. Parte da tiragem fica com a Academia, que pode comercializar os exemplares, e o restante é distribuído pela Assembléia às bibliotecas públicas da Bahia e dos demais estados brasileiros.
Já foram publicados os seguintes títulos: em 1998, A Bala de Ouro, Pedro Calmon, e A Comunicação Social da Revolução dos Alfaiates, Florisvaldo Mattos; em 1999, As Candidaturas de Almachio Diniz e Wanderley Pinho à Academia Brasileira de Letras, Renato Berbert de Castro, e Profecias Morenas, Jorge de Souza Araujo; em 2000, Ao Tempo do Governo Conceição, Ruy Santos; em 2001, Cipriano Barata na Sentinela da Liberdade, Marco Morel; em 2002, A Bahia de outr‘ora, agora, Angeluccia Bernardes Habert, e Malês, a Insurreição das Senzalas, Pedro Calmon; em 2005, Apontamentos para a História da Imprensa na Bahia, Jorge Calmon e outros, A Primeira Gazeta da Bahia: Idade d’Ouro do Brazil, Maria Beatriz Nizza da Silva, com a co-edição da Editora da Universidade Federal da Bahia, A Noite dos Coronéis, Guido Guerra, e Anjos Caiados, Ariovaldo Matos; em 2006, Figuras de Azulejo, Pedro Calmon, e Grande Sertão: Veredas. Uma EscrituraBiográfica, Evelina Hoisel; e no corrente ano em 2007, Visões de Espelhos. O Percurso da Crítica de Eugênio Gomes, Ivia Alves.
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