Comissão de Educação da Assembléia discutiu o tema na Uefs
Com o objetivo de conhecer e discutir a proposta alternativa para o ensino superior intitulada Projeto Universidade Nova, a Comissão de Educação da Assembléia Legislativa promoveu audiência pública na última sexta-feira, no anfiteatro do Módulo II da Uefs, em Feira de Santana, com a presença do reitor da Ufba, professor Naomar de Almeida Filho.
Com o subtítulo "Proposta de Reestruturação da Arquitetura Curricular da Educação Superior no Brasil", o projeto, inspirado em Anísio Teixeira, nasceu depois de intenso processo de debate interno por designação do Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade Federal da Bahia.
Como toda novidade, o Projeto Universidade Nova está causando polêmica por onde passa. Entre os pontos mais questionados estão a criação de um Bacharelado Interdisciplinar (BI), para o qual o alunado não ingressaria diretamente nos cursos superiores e que teria três anos de duração em formação geral nas áreas de Ciências, Artes e Humanidades. O Bacharelado Interdisciplinar, segundo o reitor Naomar, facilitaria a escolha do estudante para a área profissional, mostrando sua real vocação e diminuiria o percentual de abandono nos cursos. Depois de cursar esta etapa, o estudante faria uma avaliação para as carreiras profissionais, que teriam durações diferenciadas para cada curso.
VESTIBULAR
A Nova Universidade prevê a substituição do vestibular. "Da forma como está hoje, a prova do vestibular das universidades públicas reforça a exclusão", frisou Naomar, que começou a apresentação do projeto com um histórico da Universidade no Brasil. O presidente da Comissão de Educação, deputado estadual Zilton Rocha (PT-BA), chamou a atenção da platéia, cerca de 200 estudantes e professores que lotaram o auditório, para a democratização do debate sobre a proposta, que está aberta a contribuições e críticas.
"Enquanto professor, há mais de 30 anos tenho levado esse questionamento a alunos e colegas, de como é precoce a chegada de um jovem à universidade, de como a escola reproduz um modelo pedagógico ultrapassado, que não atrai os estudantes e que não se lhes permite pensar, de como os formuladores de questões de vestibular substituíram as orientações do MEC nas salas de aula", desabafou Zilton.
O projeto suscita ainda várias questões, como a viabilidade legal, técnico-pedagógica e didático-metodológica. Na dúvida se o projeto é um modelo de avanço ou de refluxo institucional, a estudante de medicina e membro do DCE Poliana Evangelista, que fez parte da mesa da audiência pública, chegou a provocar o reitor da Ufba com o termo "maquiagem". Outro convidado da mesa foi o estudante de direito Felipe Freitas, do Núcleo de Estudantes Negros e Negras da Uefs, que manifestou a urgência em contemplar outras falas no debate sobre a Universidade Nova, referindo-se "aos atores historicamente excluídos, como negras e negros, índios, moradores da periferia das cidades".
Quem quiser conhecer o projeto, deve acessar o site www.universidadenova.ufba.br.
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