Omar Britto falou sobre prejuízos e gastos com propaganda
Os principais problemas enfrentados pela Cesta do Povo nos últimos anos estiveram ontem no centro dos debates da CPI da Ebal, com o depoimento do ex-presidente da empresa, Omar Britto. Ele foi questionado pelos parlamentares sobre os contratos, dispensa de licitação, prejuízos, faturamento, excesso de pessoal, gastos com propaganda, entre outros temas que o colegiado tem investigado desde que foi instalado na Assembléia Legislativa para apurar as possíveis irregularidades na instituição.
A primeira questão a ser discutida foi o contrato entre a Ebal e a Organização do Auxílio Fraterno (OAF), entidade sem fins lucrativos responsável pela obras e manutenção da empresa. "Os custos em relação à OAF estão compatíveis com a realidade do mercado?", inquiriu o presidente do colegiado, deputado Arthur Maia (PMDB).
Omar Britto respondeu que todas as obras eram orçadas e possuíam acompanhamento técnico. "Na minha avaliação, estavam dentro dos preços do mercado", responde. O peemedebista quis, então, saber o porquê da escolha da OAF. O ex-presidente informou que a escolha se deu "por questões técnicas" e também porque daria agilidade. O presidente da CPI retrucou se nos últimos quatro anos o ideal não seria fazer licitações constantemente. Ao que Omar Britto respondeu da seguinte maneira: "As coisas aconteciam de forma emergencial e por isso permanecemos com a OAF, que já nos prestava serviços".
Ao ouvir a resposta do ex-presidente da Ebal, o deputado Paulo Rangel (PT) não se conteve: "É inadmissível que se mantivesse este tipo de relação. Estou pasmo. O serviço foi terceirizado, o senhor rasgou a lei 8.666, lei das licitações. Nunca vi nada parecido em nenhuma empresa pública. Isso é muito grave. No mínimo, houve prática de gestão temerária".
Econômico nas palavras, Omar Britto disse apenas que não havia sido autuado e que as recomendações feitas pelas auditorias para "aumento do controle" foram cumpridas.
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As discussões, porém, não se resumiram ao contrato com a OAF. O relator da CPI, Zé Neto (PT), por exemplo, também questionou o montante de recursos destinados à propaganda. "Como uma empresa em estado falimentar investe milhões em propaganda?", indagou.
Novamente, Omar Britto esquivou-se. "A propaganda era uma decisão de governo, não passava pela presidência da Ebal". No entanto, ao ser confrontado com os números da empresa e os gastos com propaganda, o ex-presidente aquiesceu: "Concordo que estes recursos aplicados para o pagamento de fornecedores seria melhor".
Também inquiriram o depoente os deputados Júnior Magalhães (DEM), vice-presidente da CPI, Heraldo Rocha (DEM), Álvaro Gomes (PC do B) e Gildásio Penedo (DEM). Dentre outros temas, eles perguntaram sobre o real prejuízo da empresa e as dívidas relativas às questões trabalhistas.
REQUERIMENTO
No final da sessão, os integrantes do colegiado aprovaram requerimentos convocando mais seis pessoas para depor: Eduardo Carneiro, que comandou a Comissão Permanente de Licitação (Copel), o publicitário Fernando Barros, Leôncio Cardoso Neto, que foi gerente da Ebal, Josemário Galvão, que participou da diretoria, Geraldo Oliveira, ex-diretor administrativo, e Antônio Mário Dantas Bastos, ex-diretor financeiro. Estes dois últimos deverão depor na próxima sessão na condição de indiciados.
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