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AL debate condições de trabalho

Publicado em: 02/05/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

Álvaro Gomes propôs o evento e lamentou que país bata recorde em acidentes trabalhistas
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Sessão especial marcou data internacional dedicada aos acidentados e doentes laborais
Antecipando-se à celebração do Dia Mundial em Memória das Vítimas de Doenças do Trabalho, que foi instituído pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) para ocorrer no dia 28 de abril, a Assembléia Legislativa realizou uma sessão especial para marcar a passagem da data e fazer uma reflexão sobre as condições de trabalho no mundo globalizado. O evento, que ocorreu pela primeira vez na AL, foi uma iniciativa do deputado Álvaro Gomes (PCdoB).

O parlamentar comunista foi o primeiro a falar sobre a questão, criticando "o atual estágio de precarização do emprego" e lamentando que ainda exista trabalho escravo no Brasil. Ele informou ainda que o país detém o "triste" título mundial de recordista em vítimas de acidente e doença de trabalho. "Não podemos aceitar este quadro. O trabalhador exige dignidade", clamou, acrescentando que os problemas no trabalho se agravam por conta do aumento da exploração, "da supremacia do capital sobre o trabalho", conforme ele destacou.

"Consideramos que as empresas, na sua grande maioria, são responsáveis pelas doenças ocupacionais e precisam ser responsabilizadas civil e criminalmente", afirmou, dizendo serem inaceitáveis as mortes por negligência e conclamando a sociedade à mobilização.

Já o professor Paulo Pena, do Departamento de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), falou sobre a ausência de informações na história do Brasil sobre os acidentes, principalmente na época de vigência da escravatura. "É uma situação de invisibilidade, pois não temos dados para fazer uma análise deste período, já que Ruy Barbosa mandou queimar os arquivos para que os escravocratas não pleiteassem indenizações", afirmou.

DESABAFO

Logo após esta análise histórica, a emoção tomou o lugar central na sessão, com o depoimento de Gilberto Toledo, que no dia 21 fevereiro perdeu seu filho carbonizado em um forno da empresa Gerdau. "Quando morre um pai, perde-se o passado. Quando falece um filho, perde-se o futuro", afirmou, acrescentando que jamais passou por sua cabeça que um dia estaria na Assembléia para falar sobre morte.

"Meu filho tinha 27 anos e muitos sonhos, que foram ceifados por negligência de uma empresa. É inconcebível que, em pleno século XXI, uma pessoa morra carbonizada em um forno. Não tivemos nem o direito de abraçar nosso ente querido", desabafou.

Ele aproveitou também para fazer questionamentos ao governador Jaques Wagner sobre o quadro atual, lembrando que só nos primeiros 90 dias deste ano já morreram seis pessoas na Região Metropolitana de Salvador por acidentes no trabalho. "Se continuar neste ritmo, a Bahia baterá um triste recorde em 2007."

SENSIBILIZADO

Falando em nome do governo, o secretário estadual de Trabalho, Emprego, Renda e Esportes, Nilton Vasconcelos, disse que as estatísticas são frias, mas o relato de um único caso "nos sensibiliza e nos dá força" para tentar reverter o quadro atual. O secretário garantiu que não há, por parte do governo, "qualquer atitude de compactuar" com empresas que não atuem com correção.

Além destes, também usaram a tribuna da AL diversas outras pessoas, como Vilma Santana, do Instituto de Saúde Coletiva; Letícia Nobre, representando o secretário estadual de Saúde, Jorge Solla; Anastácio Pinto, da Delegacia Regional do Trabalho (DRT); e o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB).

 



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