Em meados do século XIX, alguns fenômenos tidos como paranormais chamaram a atenção do educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, que passou a estudá-los e sistematizá-los. Depois destas investigações, exatamente no dia 18 de abril de 1857, sob o pseudônimo de Allan Kardec, ele publica o Livro dos Espíritos, publicação que dá origem à doutrina espírita.
Apesar de ter surgido na Europa, é no Brasil que o espiritismo tem atualmente o maior número de adeptos em todo o mundo. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 2,3 milhões de seguidores, o que representa o terceiro maior rebanho de almas do país, atrás apenas dos tradicionais católicos e dos evangélicos.
Por ter uma compreensão da importância da doutrina no Brasil, a deputada Fátima Nunes (PT) decidiu associar-se às comemorações pelos 150 anos do livro e propôs a realização da sessão especial que ontem lotou o plenário da Assembléia Legislativa, transformando-o em um palco para celebração da tolerância e do respeito à diversidade.
A primeira a falar no evento foi a proponente, que começou esclarecendo o porquê de uma católica homenagear os espíritas. "Nosso Deus é o Deus da vida, da partilha e da grandeza. Por isso que eu, mesmo católica, aqui estou para celebrar os 150 anos do livro de Allan Kardec", afirmou, conclamando todos à união para transformar a sociedade em um local de justiça, paz e fraternidade. A petista encerrou seu breve discurso falando da necessidade de "construirmos um mundo mais irmão".
Logo após o pronunciamento de Fátima Nunes, o presidente da AL, deputado Marcelo Nilo (PSDB), disse que, em nome da Mesa Diretora e da Casa, "gostaria de parabenizar a deputada, que é uma lutadora". Ele também afirmou que a Assembléia está aberta a todos os segmentos da sociedade. "Estamos orgulhosos do novo tempo que vivem a Bahia e esta Casa", disse.
PRONUNCIAMENTOS
A sessão foi marcada também por discursos de representantes de entidades ligadas ao espiritismo. A presidente da Federação Espírita do Estado da Bahia (Feeb), Creuza dos Santos Lage, afirmou que o Livro dos Espíritos é "a obra fundamental e primeira dos espíritas". Segundo ela, "usamos, nesta obra, a base para a construção do edifício social que nos ajuda na elaboração de uma convivência solidária".
Em seguida, o presidente do Conselho Administrativo da Feeb, João Neves da Rocha, fez uma exposição sobre os alicerces da doutrina e uma defesa da diversidade. Na mesma linha foi o pronunciamento do deputado federal Luiz Bassuma (PT). "Todos os caminhos que nos levam a Deus são válidos." O deputado também falou da polêmica sobre a legalização do aborto e disse que está do lado dos que defendem a vida. "Estamos no momento crucial e precisamos intervir. A omissão é dos fracos", arrematou.
No intervalo dos discursos, o coral Encontro de Luz, da Federação Espírita do Estado da Bahia, entoou diversos cânticos. Além dos palestrantes citados, também compuseram a mesa dos trabalhos a desembargadora Maria das Graças Laranjeiras, representando o presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 5a Região, Roberto Pessoa, o diretor da Tribuna da Bahia e ex-presidente da Feeb, Francisco Aguiar, e a presidente da Fundação José Petitinga, Edinólia Peixinho.
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