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R$ 620 mi de prejuízo na Ebal

Publicado em: 19/04/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

O presidente da Ebal, Reub Celestino,fala à CPI, na Assembléia, e diz que dívida da Cesta do Povo é de R$ 300 milhões
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Os números são dos últimos nove anos, segundo Reub Celestino
Uma empresa falida, com um prejuízo de R$ 620 milhões nos últimos nove anos, uma dívida atual de mais de R$ 300 milhões, com descrédito perante os fornecedores, inadimplente, além de trabalhadores desmotivados, sem qualificação e sem compromisso com a instituição. Este foi o quadro que a atual direção da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) encontrou quando assumiu o comando, segundo afirmou o presidente da Ebal, Reub Celestino, aos deputados que integram a CPI instalada na Assembléia Legislativa para apurar possíveis irregularidades nas finanças da empresa.

De forma didática, Reub Celestino explicou aos parlamentares a evolução e o declínio da empresa. "A partir de 1999, houve uma progressão dos prejuízos, que culminou com a situação falimentar do ano passado", afirmou, acrescentando que das 425 lojas da Cesta do Povo, 324 estavam deficitárias. "Além de estoques quase nulos, tínhamos um custo elevado de mercadorias e operacionais, salários e aluguéis atrasados e acordos não cumpridos", informou.

Logo após a apresentação de Reub Celestino, que durou cerca de 30 minutos, os integrantes da CPI fizeram uma série de questionamentos. O primeiro a se pronunciar foi exatamente o presidente do colegiado, deputado Arthur Maia (PMDB), que perguntou sobre os patrocínios a projetos culturais e a intermediação de uma empresa que recebia comissão. O presidente da Ebal falou que as investigações estavam sendo feitas pelas auditorias e que preferia não opinar "para não interferir no trabalho dos auditores, que é de total autonomia". Ele disse, no entanto, que os projetos de incentivos já foram cancelados, pois não cabe a uma empresa em situação falimentar realizar este tipo de investimentos.

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Já o relator Zé Neto decidiu centrar fogo no dinheiro gasto com publicidade, principalmente no Carnaval e também na questão dos contratos com a Organização do Auxílio Fraterno (OAF). Reub Celestino informou que, mesmo com a empresa quebrada, no ano passado foram investidos mais de R$ 17 milhões em propaganda. Quanto à relação com a OAF, ele disse que o contrato subiu de R$100 mil mensais para R$ 240 mil mensais, o que daria R$ 2.880 mil no ano. No entanto, em 2006, houve mais de R$ 13 milhões em repasse para a OAF.

O deputado Fernando Torres quis saber sobre o rombo de mais de R$ 4 milhões relacionado ao programa CrediCesta, que vendia para os servidores públicos e descontava na folha. O presidente da Ebal explicou que os débitos ocorreram exatamente por causa dos empregados no Regime Especial de Direito Administrativo (Reda). "As pessoas eram desligadas e não cumpriam suas obrigações. É óbvio que faltou uma harmonia no controle", afirmou.

Em seguida, o deputado Luiz Augusto quis saber o que aconteceria se no final do ano a empresa continuasse deficitária. "Vai fechar as lojas ou vai botar dinheiro?", perguntou. Reub Celestino disse que está lutando para tornar a empresa lucrativa e quer não pretende recorrer a aportes financeiros do Estado. Também questionaram o presidente da Ebal os deputados Júnior Magalhães, Ângelo Coronel, Álvaro Gomes, Paulo Azi, Heraldo Rocha, Luiz de Deus, João Bonfim e Yulo Oiticica.

REQUERIMENTOS

No final da sessão, que durou quase quatro horas, os integrantes da CPI aprovaram requerimentos – solicitando informações à Ebal – de autoria do presidente Arthur Maia, do relator Zé Neto e do vice-presidente Júnior Magalhães. Ficou definido também que o próximo a depor na CPI será o ex-presidente da empresa, Omar Antonio de Britto.



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