O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Marcelo Nilo, recebeu no gabinete ontem, no início da noite, Luís Alberto, titular da Secretaria de Promoção da Igualdade, e representantes do movimento negro, que defenderam a manutenção do status atual da comissão para Assuntos Afrodescendentes como um colegiado permanente. O grupo foi levado para a audiência com o presidente da Casa pelo deputado Bira Coroa (PT), que milita nessa área e considera como "um retrocesso" a transformação da comissão em uma sub-comissão, como prevê o projeto que está em tramitação e reduz o número de comissões de 22 para dez.
Também participaram dessa conversa – que durou 40 minutos – o líder da bancada governista, Waldenor Pereira (PT), autor do projeto de lei, e os deputados Reinaldo Braga (PSL) e Zé das Virgens (PT). Os parlamentares explicaram aos militantes o espírito do processo de "cortar na carne" vivido no momento pelo Legislativo, diante da impossibilidade de funcionamento pleno da Casa com a existência de 22 comissões. O próprio Bira Coroa concorda com a necessidade da diminuição, mas considera emblemática a necessidade de "não se abrir mão desse instrumento poderoso por parte do movimento afrodescendente, agora que o PT chegou ao governo na Bahia.
Ele entende que a proposta de unir num mesmo colegiado a questão do negro com a das mulheres não dará resultado, com um dos temas "engolindo o outro" e teme que a questão da mulher prevaleça. Todos os questionamentos feitos foram respondidos por Nilo, Waldenor e Zé das Virgens, mas não se chegou a um acordo. "A porta não foi fechada ao pleito e a própria tramitação da matéria poderá resultar na permanência dessa comissão. O Legislativo é a caixa de ressonância da sociedade e está, portanto, sempre pronto a assumir as lutas que o povo baiano decidir enfrentar", frisou Waldenor,
O deputado Zé das Virgens, que participou da instalação desse colegiado, ainda como comissão temporária sob a presidência do ex-deputado Paulo Anunciação (PT), chegou a indagar se "o avanço só acontecerá através do colegiado, reafirmando a necessidade de redução do número de comissões". Por seu turno, o secretário Luís Alberto reconheceu as dificuldades vividas pelo parlamento, mas manifestou seu apoio ao pleito das entidades do movimento negro e acredita que existirá uma forte pressão externa sobre a Assembléia em defesa da comissão.
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