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Geddel defende transposição na AL

Publicado em: 04/04/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

Plenário lotado na AL para ouvir o ministro Geddel Vieira Lima defender transposição
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Para o ministro da Integração, "Bahia não tem nada a perder"
O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, defendeu ontem para o plenário cheio da Assembléia Legislativa o projeto de transposição do rio São Francisco. Pelo menos 41 deputados participaram da sessão informal, que demorou quase três horas e foi aberta pelo presidente da AL, deputado Marcelo Nilo (PSDB), contando com a participação de técnicos e políticos do estado. No encontro, o ministro garantiu que o rio também será revitalizado "antes, durante e depois das obras" e que a transposição só vai desviar 1,4% das águas do São Francisco.

A visita de Geddel à Assembléia teve como objetivo, segundo ele próprio, quebrar uma série de preconceitos sobre o projeto e desmistificar as informações que aparecem nos meios de comunicação de massa. "Ainda não encontrei um argumento com solidez suficiente para concluir que este projeto trará prejuízos à Bahia", afirmou.

A série de atividades do ministro na Bahia incluiu também uma entrevista coletiva e um encontro, ontem à tarde, com o arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, cardeal D. Geraldo Majella, presidente da CNBB e que constantemente vem fazendo críticas à transposição.

Antes do ministro responder aos diversos questionamentos dos deputados, dois técnicos do ministério fizeram exposições sobre a transposição e revitalização do Rio São Francisco. A primeira a falar foi a gestora do Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Karla Yoshida Arns. Segundo ela, o programa de revitalização do Velho Chico não se esgota neste governo. "A previsão é de pelo menos 20 anos", afirmou, citando como exemplo o projeto de revitalização do Rio Tâmisa, em Londres, que levou 35 anos para ser concluído.

De acordo com Karla, entre 2004 e 2006 foram investidos cerca de R$ 194 milhões na revitalização do São Francisco. Deste valor, R$ 59 milhões destinaram-se à Bahia. A gestora afirma que a maior parte desses recursos foi direcionada para obras de esgotamento sanitário, além da recomposição de matas ciliares e de outras áreas nas margens do rio. Ela garantiu ainda que o projeto prevê esgotamento sanitário em todas as cidades que ficam às margens do Velho Chico.

Outro a se manifestar antes do ministro responder os questionamentos foi o coordenador do Projeto de Integração do Rio São Francisco, Rômulo de Almeida. Ele explicou que o projeto de transposição prevê a construção de dois canais: um a Leste, que levará água para Pernambuco e Paraíba, a partir da captação no lago da barragem de Itaparica; e outro na direção Norte, abastecendo o Ceará e o Rio Grande do Norte com a retirada sendo feita nas imediações da cidade de Cabrobó (PE). Para abastecer os dois canais, a Agência Nacional de Águas (ANA) outorgou a retirada contínua de 26 metros cúbicos de água por segundo, ou 1,4% da vazão do rio, que é de 1.850 metros cúbicos por segundo na foz.

Rômulo de Almeida observou que a grande importância do projeto de transposição é contribuir para manutenção dos açudes localizados no Nordeste Setentrional. Isso porque, explica ele, os açudes da região são obrigados a manter sempre um nível elevado de água para que os grandes conglomerados urbanos do Nordeste não corram risco de desabastecimento de água nos períodos de estiagem prolongada. "Os açudes, em geral, só podem usar 22% dos seus reservatórios."

Com isso, diz, cerca de 70% do reservatório é perdido com a evaporação da água e as infiltrações. E, por outro lado, quando chove, os reservatórios muitas vezes não têm espaço suficiente para acumular as águas da cheia. "A transposição do São Francisco vai funcionar como uma garantia para os reservatórios", disse ele, acrescentando que, ao invés de utilizar apenas 22% de sua capacidade máxima, os açudes poderão utilizar 40, 50%. Geddel reforçou o argumento: "Com o projeto, teremos um melhor manejo da água no Nordeste Setentrional."

Apesar dos argumentos, muitos deputados criticaram o projeto de transposição. O deputado Heraldo Rocha (DEM), por exemplo, lembrou o posicionamento de vários técnicos contra a transposição. Ele observou ainda que diversos projetos de transposição no Chile, Peru e Estados Unidos não deram certo. Por isso, Heraldo Rocha defendeu a realização de uma audiência pública (já aprovada pela Mesa Diretora) para discutir o assunto com técnicos e representantes da sociedade civil.

Já o deputado Clóvis Ferraz (DEM) argumentou que diversos organismos internacionais já condenaram a proposta de transposição. Ele se disse ainda disposto a discutir até a transposição para o chamado Eixo Leste, que vai levar água para o consumo humano, mas considera inaceitável o chamado Eixo Norte, que levaria água do rio para beneficiar o agronegócio. "Dentro da Bahia, nós temos vários projetos de irrigação precisando de apoio, como o Salitre e o do Baixio de Irecê", afirmou.



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