Projeto de transposição foi analisado em sessão especial
A transposição de águas do rio São Francisco foi o centro das atenções ontem, na Assembléia Legislativa, durante a sessão especial que comemorou o Dia Mundial da Água – Sustentabilidade e Vida. O evento foi proposto pelos deputados Bira Corôa e Zilton Rocha, ambos do PT, e levou ao plenário o secretário do Meio Ambiente, Juliano Matos, e outros altos funcionários do Poder Executivo estadual, da Codevasf, muitos deputados estaduais e o federal Zezéu Ribeiro (PT). Outros temas discutidos no evento foram os impactos da criações de camarões para o ambiente, a exploração econômica de Abrolhos e a situação de outras bacias pluviais, a exemplo da do rio Salitre.
O primeiro a tratar ontem da transposição foi Renato Cunha, coordenador do grupo ambiental Gambá. Ele foi aplaudido ao reivindicar o abandono da idéia de levar a água do São Francisco para o Nordeste setentrional. Ele explicou que existem estudos mostrando que há água suficiente naquela região, faltando apenas ações para captação e distribuição. Depois dele falou a deputada Antonia Pedrosa (PRP), citando o frei D. Luiz Cappio, para afirmar que a salinização do rio já chega a 300 km de sua foz. "O mar está invadindo", avisou, tendo sua preocupação compartilhada pelo deputado Aderbal Caldas (PP).
O superintendente dos Recursos Hídricos do Estado, Júlio Rocha, por sua vez, disse que "existem questões ambientais sérias no estado" que precisam ser discutidas. A respeito do São Francisco, ele disse que é preciso debater qual modelo produtivo é o mais adequado. "O pivô central é altamente danoso", acusou, dizendo que a lógica da fruticultura irrigada exportadora precisa ser revista. Para ele, o ponto central do debate é a de que saber para que servem e para quem servem as águas do rio. O uso do pivô central também foi criticado por Zezéu Ribeiro.
O deputado Gildásio Penedo (PFL), por sua vez, achou auspiciosa a fala de Rocha, que apontou para a necessidade de discutir sobre o rio. "Mas é para discutir e executar o que foi decidido", disse, lamentando que, embora o Comitê da Bacia do São Francisco só tenha admitido o uso da água para outras bacias com o objetivo de dessedentação humana e animal, a Agência Nacional das Águas ignorou o fato e autorizou o projeto.
O diretor de Revitalização da Codevasf, Jonas Paulo, por sua vez, mostrou o que vem sendo feito para revitalizar o rio. Ele disse que já está em curso a instalação de saneamento básico em todas as cidades que margeiam o rio, assim como a implementação da hidrovia entre Ibotirama e Juazeiro. Além disso, ele anunciou que, até 2008, serão realizados trabalhos para garantir água potável para as vilas e cidades que ficam a até 15 km do rio.
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