Os deputados estaduais se mobilizaram ontem em um intenso debate, que entrou pela noite, durante a votação que derrubou o veto do governador Jaques Wagner ao projeto do ex-deputado padre Joel que estabelece a política estadual para a síndrome do autismo. O resultado da votação secreta foi de 32 x 30 a favor do projeto do ex-parlamentar. A matéria foi relatada em plenário pelo deputado Nelson Leal (PSL). Existiam outras duas na pauta, mas a que dominou a atenção de oradores e galerias foi a questão dos autistas, o que levou a um acordo de lideranças que adiou para hoje a apreciação da rejeição do Executivo à alteração nos limites de Água Fria, Ipirá e Inhambupe, proposto pelo deputado Luiz Argolo (PP), e o que dá preferência na alocação de servidores públicos (ex-deputado Eliel Santana) que desempenham ministério religioso.
O projeto de padre Joel levou à Assembléia Legislativa, além do próprio autor, uma série de entidades, a exemplo do Inesp – Evolução, da Apae e da associação baiana voltada para o assunto. Diante de galerias repletas, com faixas expostas, muitos aplausos - e às vezes gritos - parlamentares de oposição se sucederam na tribuna a fustigar o veto de Wagner, sob o argumento de inconstitucionalidade por vício de origem. Raras vezes se pôde presenciar uma sessão entrar pela noite em que um único tema foi debatido à exaustão. O acordo de líderes ocorreu menos de 15 minutos depois do líder do governo, deputado Waldenor Pereira (PT), pedir nova prorrogação de 900 minutos – nada menos de 15 horas – mostrando determinação em votar as matérias.
INDIGNAÇÃO
Antes do entendimento, a dureza dos pronunciamentos havia levado Waldenor à tribuna para responder na mesma moeda e se dizer estarrecido com "o proselitismo" da oposição: "Estão sendo aplaudidos deputados da base de um projeto político que destruiu a Bahia", definiu, procurando dar ênfase e números a sua indignação. Ele explicou que o problema do projeto não se resume à criação de despesa por parte do Legislativo. Segundo ele, a matéria se debruça apenas sobre o autismo, enquanto há várias outras patologias que demandam igual atenção do Estado. "Essa exclusividade fere a Constituição", disse, ressaltando que o entendimento em nível internacional é de que as abordagens sejam inclusivas.
Indignação no mesmo nível, mas em sentido oposto, registrou o líder da oposição, Gildásio Penedo (PFL). Para ele, o governador e sua bancada são incoerentes em torno do assunto. Afinal, lembra ele, o projeto do padre Joel foi aprovado por acordo - "como todas as matérias o foram, durante a transição – e com apoio dos parlamentares que agora são pela rejeição por intermédio do veto". Ele disse que sua bancada ia trabalhar para derrubar o veto e lamentou que a primeira proposição enviada pelo governador seja exatamente dessa natureza, classificando de uma anomalia, por fazer com que a AL rejeite uma matéria que ela própria aprovou anteriormente
REDES SOCIAIS