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Construção busca resgatar tradição cultural

Publicado em: 07/06/2018 00:00
Editoria: Diário Oficial

A casa de taipa ou de pau-a-pique, feita de barro e madeira, atravessa milênios, permeia culturas, técnica de construção usada pelos mouros para construir castelos e pelos chineses para a Muralha da China. Hoje, porém, trata-se mais de uma imposição social, do que uma opção de engenharia. Mas também é sinal da liberdade criadora do lar próprio, para aqueles que não têm acesso aos materiais modernos.

Esse tipo de construção, no modelo pau-a-pique, veio para o Brasil no período colonial, como uma das mais autênticas manifestações arquitetônicas para o novo lugar, somando-se às já existentes ocas de palha dos índios. O lar feito de terra resiste ao tempo. O saber fazer vem sendo transmitido para as várias gerações através da oralidade. Assim tornaram-se símbolo do sertão nordestino, onde ainda resistem.

E foi nesse ímpeto de resgate cultural e de valorização do que vem do sertão que a presidente do Instituto Assembleia de Carinho, Eleusa Coronel, sugeriu a construção de uma réplica na área verde da ALBA. A missão coube ao engenheiro Marcelo Cerqueira que usou uma técnica similar a original. “Os cipós, usados para fazer as tranças, foram substituídos por pinus de reflorestamento, mantendo dessa forma o caráter ecológico da construção”, explicou Marcelo.

Ao todo foram 10 dias de trabalho. A casa tem 12m medindo 4X3mts. O telhado foi feito com palha de coqueiro natural e forrado por baixo com plástico preto, evitando a infiltração de água. Marcelo disse ainda que não criou divisões internas para que o vão fosse aproveitado como depósito para as doações que chegarão durante a Campanha do Agasalho. As paredes, depois das ripas trançadas, foram revestidas com barro massapê. “O barro foi trazido seco e aqui mesmo na Assembleia foi misturado com água na proporção correta para dar a consistência necessária ao seu endurecimento”, disse.

Para completar todo o cenário rural, as mudas do milharal que vieram de Coração de Maria foram transplantadas uma a uma. “Nesse trabalho tivemos um cuidado especial, inclusive colocando alguns cabos de vassouras para melhorar a sustentação dos pés de milho no solo”, completou o engenheiro. Marcelo disse ainda que a madeira usada na fogueira é eucalipto tratado. “Fizemos de tudo para que a construção fosse a mais ecológica possível, de forma a transmitir uma mensagem de simplicidade aliada a funcionalidade, mas sempre com o respeito à natureza, que é uma característica do sertanejo”, concluiu.


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