A pedagoga Maria Cristina Guimarães Brito não é uma personalidade conhecida nem autoridade com destaque perante a maioria da população e é justamente por um trabalho praticamente anônimo e de grande relevância na vida de pessoas especiais que ela foi agraciada ontem com a Comenda 2 de Julho pela Assembleia Legislativa. Foi ela quem fomentou a equoterapia na Bahia há 25 anos, terapia que vem melhorando a qualidade de vida de pessoas que nasceram com paralisia cerebral, autismo e outras condições que as tornam especiais.
A honraria foi proposta pelo deputado Bobô (PC do B), que expôs aos colegas de Parlamento a importância do trabalho que Maria Cristina desenvolve na Bahia e obteve a aprovação unânime do seu projeto de resolução concedendo a condecoração. “A sua dedicação continuada, acalorada pela parceria estabelecida entre a associação, Governo do Estado, por meio da Polícia Militar, e o Exército Brasileiro, responsável pelo projeto O Cavalo a Serviço da Habilitação, Reabilitação e Promoção Social, torna possível um atendimento equoterápico também para pessoas carentes, portadoras de deficiência”. Atualmente, a Bahia conta com 17 Centros de Equoterapia.
“Estamos reunidos nesta sessão especial com o objetivo de conceder a mais alta condecoração desta Casa, a Comenda 2 de Julho, a uma mulher guerreira, um ser humano diferenciado, que nos orgulha pela trajetória de vida, por sua abnegação, seu desprendimento e amor ao próximo”, definiu o parlamentar em seu discurso de saudação. A entrega da comenda foi realizada por Bobô, o marido de Maria Cristina, Ezequiel, e o filho Yuri, que compôs a mesa de honra e tem uma parte importante nesta história,
Yuri foi diagnosticado com paralisia cerebral com cinco meses de vida e virou “a força matriz que me deu coragem e determinação para levar a frente esse processo”, definiu Maria Cristina. Ela desistiu do sonho de fazer medicina, como lembrou Bobô, quando seu primogênito foi diagnosticado. Em sua busca para reabilitar o filho, encontrou o fisiatra Alberto Alencar, um pesquisador que indicou a equoterapia como complemento do programa de habilitação e reabilitação da pessoa com deficiência. Neste sentido, Maria Cristina fez questão de ressaltar a presença do médico na mesa de honra.
A mesa, por sinal, tinha muito de representativo na jornada de Maria Cristina. Ali estavam, além do próprio Yuri, o coronel Nilton Mascarenhas, comandante da PM, a major Luciana Oliveira, o major Moncorvo, da cidade de Feira de Santana, o capitão Franklin Rodrigues, do Esquadrão de Polícia montada da PM, o superintendente da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, Alexandre Baroni, e o presidente da Associação Bahiana de Equoterapia, Raimundo Lacerda.
A terapia de Yuri foi iniciada com Max Lima, em uma hípica particular. “Foi no transcorrer de um ano dessa fase experimental que, percebendo as melhoras evidentes no quadro de saúde dele, tive a proposta de replicar essa metodologia para o atendimento de outras crianças e adolescentes que se encontravam na mesma situação”. Nascia assim, em 1993, a Associação Baiana de Equoterapia, inicialmente com três crianças, no Esquadrão de Polícia Montada da PM.
O novo tratamento no Brasil (no exterior a experiência já data de mais de 50 anos) ganhou a mídia e apareceram 15 famílias interessadas em conhecer o trabalho. A nova demanda exigiu a procura de um novo espaço e Maria Cristina achou guarida no 19º Batalhão de Caçadores. “Não posso deixar de registrar minha emoção com o gesto do comandante do 19ºBC ao nominar o espaço de Yuri Guimarães Brito. Na plateia várias famílias com crianças com necessidades especiais demonstra que a terapia continua dando seus frutos. Yuri continuou progredindo, se formou em publicidade, área em que atua. Atualmente a Abae atende a 131 crianças por mês.
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