Produtoras rurais, professoras, lideranças políticas e estudantes participaram de audiência pública promovida pela Bancada Feminina da Assembleia Legislativa, no auditório do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Riachão do Jacuípe, como parte dos eventos da campanha “16 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra a Mulher”. Estiveram presentes também o Movimento de Organização Comunitária (MOC) e a Câmara Temática de Mulheres da Bacia do Jacuípe.
A deputada Neusa Cadore (PT), líder da bancada e presidente da Subcomissão de Autonomia Econômica da Mulher, destacou que estas “audiências públicas itinerantes são uma oportunidade de ouvir vozes mais diversificadas. Precisamos praticar um olhar mais generoso com as mulheres que estão a nossa volta. Por isso, é tão importante a gente dividir experiências e debater os nossos problemas”, disse a deputada.
PARTICIPAÇÃO
Com a participação de mais de dez municípios da Bacia do Jacuípe e 200 participantes, a audiência marcou o início da campanha sob o lema “O problema também é meu! Não à violência contra mulheres”. Maria Vandalva, do MOC, diz que a campanha visa contribuir para a “desnaturalização da violência de gênero e dar visibilidade às diversas formas de violação de direitos”.
A disparidade salarial entre homens e mulheres, a educação das crianças, o projeto “Escola Sem Partido”, a ocupação das mulheres em espaços de poder e a impunidade dos homens em caso de violência estiveram na pauta do evento. Um grupo de jovens ligados ao Movimento de Mulheres de Pintadas apresentou o espetáculo “Maria vai com as outras”, que debate a desigualdade de gênero.
A professora Esmeralda Soares, de Riachão do Jacuípe, animou o público com uma canção de sua autoria que trata da Lei Maria da Penha. Um dos pontos mais debatidos da audiência foram os avanços e os pontos que precisam ser melhorados na lei. A professora Eulália Azevedo, representante da Secretaria de Política para as Mulheres (SPM), disse que a promulgação da legislação não foi suficiente para erradicar a violência e acredita que estão “roubando o direito das mulheres de viver num mundo sem violência”.
A Ronda Maria da Penha também foi debatida no evento. A capitã PM Paula Queiroz disse que quando a ronda foi criada a Bahia figurava como o 2º estado mais violento para as mulheres. A capitã defende a ronda como um sistema regulador das medidas protetivas, mas destaca a dificuldade em atender a demanda de mulheres vítimas da violência.
A deputada Neusa Cadore informou que durante os 16 Dias de Ativismo projetos das deputadas em relação a temática serão levados para apreciação no plenário da Assembleia Legislativa. Um dos projetos que será analisado proíbe homens agressores de ocuparem cargos no poder público. Vereadores de municípios baianos presentes ao evento se mostraram interessados a apresentar o projeto em suas câmaras municipais.
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