Através de iniciativa da deputada Fabíola Mansur (PSB), a Assembleia Legislativa realizou, nesta segunda-feira, sessão especial para comemorar o centenário de Maximiliano dos Santos, mais conhecido como Mestre Didi. O evento, bastante concorrido, foi marcado por discursos emotivos relatando a história do artista plástico, escritor e sacerdote.
A socialista destacou que o mês de novembro é o da consciência negra e da cultura. Para a deputada, o momento é oportuno para reverenciar a vida e obra do Mestre Didi. “Um homem íntegro, ético e sensível”, disse. Durante a sessão, esculturas de Antônio Carlos Oloxedê, neto do homenageado, estiveram expostas no plenário da Casa.
Proponente da homenagem, Fabíola Mansur apresentou na Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Serviços Públicos uma nova Comenda, da Liberdade Revolta dos Búzios, a ser entregue pela Assembleia Legislativa da Bahia para homenagear heróis e heroínas negras da nossa história, que lutaram e continuam lutando contra o racismo. A deputada pede a sensibilização dos parlamentares para aprovação da Comenda. “Precisamos evidenciar as pessoas que estão na luta pelos direitos da população negra”, defendeu.
HOMENAGENS
Para o deputado Bira Corôa (PT), a sessão especial reconhece uma pessoa que permitiu muitos negros se reconhecerem na negritude. O petista diz que Mestre Didi traçou para todos um enfrentamento ao racismo diferenciado. “Ele pautou a religião como acolhimento”, disse.
Entre homenagens e cantos para homenagear a memória de Mestre Didi, os presentes à sessão contavam um pouco de como o sacerdote e artista plástico influenciou nas suas vidas.
Do vereador de Salvador, Sílvio Humberto (PSB), foi trazido a simplicidade com profundidade do Mestre Didi. Genaldo Novaes destacou a questão educativa do sacerdote. “Ele foi educador por essência. Passou os ensinamentos da religião para todos ao seu redor”, disse.
A secretária de Promoção da Igualdade Racial, Fabya Reis, falou sobre o plano de apresentar nacionalmente e também na Bahia a história do Mestre Didi e sobre o compromisso de inaugurar o Memorial de Revolta dos Búzios, que vai ser construído na Assembleia Legislativa para reverenciar o povo negro.
Gildeci Leite destacou a necessidade de conhecer mais a obra do homenageado. Balbino Daniel de Paula ressaltou a conduta incorruptível do Mestre, Edvaldo Zulu Araújo falou da trajetória exitosa e exemplar do líder e Marco Aurélio relembrou a discrição do sacerdote.
“Didi foi um dos protetores religiosos do Olodum. Com ele enxergamos que a gente precisava aprender, a sonhar. Com ele, ouvimos o discurso da igualdade. A vitória do Mestre Didi é a vitória do povo negro”, disse João Jorge, presidente do Olodum.
Para Ademir Ribeiro Júnior, do Ipac, Didi foi um ser humano que extrapolou a casca física. “E esta sessão especial é para preservar a sua memória”, finalizou.
TRAJETÓRIA
Sacerdote, escultor e escritor, Mestre Didi ganhou diversos prêmios, expôs suas obras no Brasil e no exterior e foi um dos mais importantes sacerdotes do culto aos egoguns no mundo.
Aos 55 anos de idade, o homenageado fundou o candomblé de culto aos ancestrais Ilê Asipá. Os Assipás, caçadores ligados a Oxóssi, transmitem a ideia de segurança. Dessa forma, as obras de Didi assimilam signos de candomblé e têm relação direta com os orixás e os elementos da natureza.
Mestre Didi possui livros editados em português, espanhol, inglês, francês e yorubá. Sua obra literária está reunida em volumes como “Contos Negros da Bahia” e “Contos de Nagô”.
“Por sua vida e pela preservação da memória afro-brasileira e aos cultos de matriz africana, Mestre Didi merece todas as homenagens da Bahia e da nossa Assembleia Legislativa pela passagem do seu centenário de nascimento”, declarou Fabíola Mansur.
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