Flores em vida. A frase curta resume o sentimento dos presentes ao lançamento, ontem, do livro “Poemas Escolhidos”, escrito pelo ex-deputado Adelmo Oliveira, no Saguão Nestor Duarte da Assembleia Legislativa. Apesar dos trabalhos em plenário estarem sob obstrução do bloco da minoria, 16 deputados estaduais prestigiaram a cerimônia, parabenizando o autor pela beleza dos versos extraídos de seus sete livros anteriores, mas também reverenciando a trajetória reta, digna, de um cidadão fiel a princípios éticos rígidos, de vida singela e urbanidade a toda prova.
Encantado com a qualidade da obra, o presidente Angelo Coronel (PSD), a guisa de saudação, leu o perfil escrito pelo saudoso Ildásio Tavares, intelectual que produziu o prefácio de “Poemas Escolhidos”. Em seguida, homenageou o ex-colega que “honrou esta Casa” por uma legislatura, quatro anos: “Adelmo Oliveira faz parte dessa Casa. Aqui só deixou saudades, e o lançamento desse livro é algo que nos prestigia a todos”. O presidente da ALBA parabenizou ao antecessor, deputado Marcelo Nilo (PSL), pela iniciativa de fazer publicar esse trabalho e brincou com os 83 anos do autor: “Adelmo espero que você, dona Gracinha, seus filhos e netos, invertam os números, não para voltar aos 38 anos de idade, mas viver outros 38 anos, de forma inteligente, produtiva e criativa”.
Em sequência, o poeta Adelmo Oliveira agradeceu a inclusão do seu trabalho no programa editorial do Legislativo, o ALBA Cultural. Explicou que “Poemas Escolhidos” é uma seleção dos sete livros que escreveu ao longo da vida – um deles apreendido em 1971 pela polícia política. “Obras que refletem o momento histórico e social imposto pela ditadura de 1964 até os dias atuais", frisou. Para ele, existem duas opções fundamentais para a criatividade humana – a escrita (a poesia) e a política, e só o exercício dessas “artes” faz a humanidade avançar.
O poeta agradeceu a todos os envolvidos na edição e lançamento de “Poemas Escolhidos”, como o ex-presidente Marcelo Nilo (PSL) que acolheu o projeto apresentado por Oldack Miranda e Emiliano José. Expressou ainda a sua gratidão ao presidente Angelo Coronel que deu seguimento ao projeto ALBA Cultural, possibilitando o lançamento do seu trabalho, e à esposa, Gracinha, companheira e incentivadora de todas as horas.
O ex-presidente Marcelo Nilo traçou um breve histórico do programa editorial, iniciado na gestão de Antonio Honorato, ampliado com o presidente Clóvis Ferraz, e multiplicado em sua gestão. Elogiou o trabalho de Adelmo Oliveira e a excelência do trabalho do ALBA Cultural, que resgata obras e vultos importantes da história da Bahia. Citou livros com os perfis de Nestor Duarte, da Mulher de Roxo e Maria Bonita e elogiou o sucessor por dar continuidade a esse trabalho cultural do Legislativo. Fez também um elogio da política, “tão menosprezada nesses tempos”, apesar de ser o “único mecanismo para sairmos da crise e voltarmos a crescer com justiça social”.
CUMPRIMENTOS
Advogado, poeta e militante político por toda a vida, Adelmo Oliveira autografou e recebeu os cumprimentos por quase duas horas. Entre os presentes, além dos deputados Angelo Coronel e Marcelo Nilo, os petistas Zé Neto, líder do Governo, Zé Raimundo, Rosemberg Pinto, Marcelino Galo e Bira Corôa; Sidelvan Nóbrega (PRB), dos peemedebistas Hildécio Meireles e Luciano Simões Filho, Samuel Júnior (PSC), Euclides Fernandes, (PDT), Ivana Bastos (PSD), Pablo Barrozo (DEM), além de Angelo Almeida e Fabíola Mansur, do PSB. Os ex-deputados Beraldo Boaventura e Ewerton Almeida também marcaram presença, junto com intelectuais, professores, escritores e jornalistas.
O jornalista e escritor Oldack Miranda estava emocionado com a boa repercussão política e a presença inédita de tantos parlamentares na cerimônia, um reconhecimento do homem culto e do excelente poeta que é Adelmo Oliveira, como do militante e político que ele sempre foi – um lutador em favor das causas democráticas, opositor e desafiante da ditadura e advogado dos segmentos necessitados, espoliados de nossa sociedade, como eram aqueles que em busca da moradia, de lugar para morar, participaram de ocupações de terra na capital. Ele é um dos responsáveis por esse projeto, amigo e parceiro do também jornalista, escritor e político Emiliano José, que abatido por gripe violenta não pode comparecer.
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