O falecimento do coronel João Damasceno Mansur de Carvalho, chefe da Casa Militar dos governadores Roberto Santos e Waldir Pires, foi pranteado na Assembleia Legislativa por sua sobrinha, a deputada Fabíola Mansur (PSB), que através de uma terna moção
de pesar traçou um breve perfil do militar de escol, servidor público exemplar que foi o coronel Mansur em toda a sua trajetória militar e pessoal. O texto elaborado pela parlamentar, ainda abalada pelo falecimento do tio, registra a sua profunda tristeza – e de toda a Bahia – pelo “desaparecimento de um servidor público honrado, trabalhador e zeloso”. O falecimento aconteceu no último domingo, data também do sepultamento, realizado às 15h30,no cemitério Jardim da Saudade.
Ele tinha 85 anos e foi professor de muitas gerações de oficiais da Polícia Militar em sua passagem
pelo Colégio da Polícia Militar dos Dendezeiros, “indelével”, frisou a deputada do PSB. Lembrou que muitos dos seus alunos hoje comandam vários batalhões e companhias por toda Bahia, conservando, mesmo após muitos anos de estar fora do serviço ativo, o respeito unânime da corporação que tanto amou.
CORAGEM PESSOAL
Na moção protocolada junto à Secretaria Geral da Mesa do Legislativo, a deputada Fabíola Mansur registrou de forma direta a extensão dessa dedicação. “Ele amava a PM”. Apoiou-se ainda em mensagem que recebeu do jornalista Cláudio Leal, agora residente em São Paulo, expoente da sua geração no jornalismo baiano.
“O coronel Mansur desmontava a imagem clássica do militar. Alma afável e sem rompantes, físicos ou verbais, sabia exercer as suas missões no momento-limite, um temperamento que fortalecia a sua autoridade”.
Cláudio Leal citou nessa mensagem, a título de exemplo, fato acontecido nos anos 60 do século passado, “a defesa do ministro Juracy Magalhães, apedrejado de passagem pela Reitoria da Ufba.
O coronel Mansur o acompanhava numa visita ao túmulo de Juracy Magalhães Júnior, morto pouco antes. No calor da confusão, ele se colocou à frente do general e levou a pedrada mais forte. A lealdade de Mansur era rígida. Demonstrada com Roberto Santos, Waldir Pires e Juracy – este, o seu formador, quando trabalhou como ajudante de ordens do governador. Jamais deixou de faltar a uma só missa em memória de Juracy. Leal aos amigos vivos e mortos. Uma ética marcial”, concluiu Cláudio Leal. A deputada do PSB fez questão de incluir esse episódio na moção para colocá-lo “nos Anais desta Casa quem foi João Damasceno Mansur de Carvalho, nosso coronel Mansur”. Desse episódio, fi cou uma pequena cicatriz no rosto do coronel, informa a também jornalista Olívia Soares, outra amiga e admiradora dele. A deputada Fabíola Mansur informou que “meu tio João – era irmão do meu pai Demócrito Mansur de Carvalho –, assim o chamava, era um ser humano especial, carinhoso, amigo e presente, uma referência de ética e coragem para todos.
Católico fervoroso, era devoto do Senhor do Bonfim, sempre presente na Sagrada Colina”.
Lembrou ainda do respeito que ele granjeou para si em todos os postos da carreira, sendo “uma figura humana e um militar de escol”. Para ela, foi gratificante a convivência com um ser tão leal e elegante, que “jamais perdeu a postura digna e sóbria, marcante na sua personalidade e maneira de ser. Hoje, a tristeza toma conta dos nossos corações, mas sempre iremos lembrar o homem de bem que foi meu tio João, marido, pai, avô, bisavô e amigo extremoso”.
O coronel João Mansur, completou ela, deixa viúva Euramir (tia Mimi), as fi lhas Cristina, Andreza e Eurídice, os netos João, Matheus, Mila, Adamo e Marquinhos (in memoriam), os bisnetos Catarina, João Marcos, Leonardo e Letícia, parentes, amigos, uma legião de admiradores, seu exemplo e uma imensa saudade.
A deputada Fabíola Mansur concluiu a sua moção de pesar, solicitando que o seu teor fosse encaminhado à família do Coronel João Mansur, através de sua esposa Dona Mimi, ao governador Rui Costa, ao secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa, ao comandante da Polícia Militar da Bahia e ao Colégio da Polícia Militar da Bahia.
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