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Cinquentenário do MOC é tema de sessão na Assembleia

Publicado em: 15/09/2017 00:00
Editoria: Diário Oficial

Evento proposto por Gika Lopes e Fátima Nunes serviu para relembrar a trajetória de lutas sociais do Movimento de Organização Comunitária
Foto: CarlosAmilton/Agência-ALBA
"Um movimento que mais do que projetos de ação fomenta líderes". Assim a deputada Neusa Cadore (PT) definiu ontem o Movimento de Organização Comunitária (MOC), durante sessão especial realizada para comemorar o cinquentenário da organização não-governamental voltada para o desenvolvimento sustentável da sociedade. O evento foi proposto pelos deputados Gika e Fátima Nunes, ambos do PT, mas Fátima não pode comparecer por estar acompanhando a agenda do governador Rui Costa em sua região.

"O meu mandato tem o MOC como referência de atuação", disse Gika, afirmando ter convicção na importância de "promover o fortalecimento das associações, das cooperativas e dos pequenos produtores". Para ele, é possível "promover o protagonismo dessas famílias na luta pelos seus direitos, com dedicação, formação e luta", pilares em que se baseia o MOC em sua ação em dezenas de municípios localizados na Bacia do Jacuípe, na região sisaleira e no Portal do Sertão. 

Gika, que comanda a Subcomissão da Agricultura Familiar, falou do trabalho realizado pelo colegiado e ressaltou o compromisso do governador com o povo do sertão. Rui Costa enviou o assessor direto Osni Cardoso para representá-lo. Ele se definiu como fruto do MOC. "Sei bem a importância do MOC em minha vida", disse, explicando que a entidade lhe abriu os horizontes, fazendo enxergar o mundo, quando ainda era adolescente na cidade de Ichu. "Me ajudou a estudar e a entrar na universidade", afirmou. Como mensagem de Rui Costa, ele pediu para que todos continuassem na luta "porque na luta fomos forjados".

Lutar parece mesmo a profissão de fé de todos os envolvidos com o movimento. Ontem estava presente boa parte da diretoria, o presidente, José Jeronimo, o fundador Albertino Carneiro, e vários auxiliares. Todos os que se pronunciaram mostraram o espírito de manter a chama acesa contra a redução de direitos e garantias que estão ocorrendo ao nível federal. Jerônimo fez um culto e alentado pronunciamento, citando Rui Barbosa, Cícero e Anísio Teixeira, além de se aprofundar na etimologia de muitas palavras. "A vida de cada um de nós é cheia de sonhos e Albertino foi e continua sendo um grande sonhador", definiu.

REPRESENTAÇÃO

Fátima Nunes pediu para que o vice-prefeito de Nova Soure, Marcos Ureilton, a representasse na sessão, visto que ela estava em Jeremoabo junto ao governador para a entrega de equipamentos à sociedade e assinar ordem de serviço, em atendimento a indicações apresentadas por seu gabinete. Ela lembrou que o MOC foi criado pelo ex-padre Albertino que, em plena ditadura, organizou "uma instituição forte e de participação do semiárido, naquela época em que o sertão era esquecido e abandonado, sem qualquer política pública".

Gika afirmou que mais do que homenagear, a sessão tinha por objetivo apresentar aos baianos "seu importante trabalho em defesa de uma vida digna e de oportunidades para os homens e mulheres do campo e da cidade". Neste sentido, ele chamou à tribuna Eduardo Emídio dos Santos para falar do Programa Água, Produção de Alimentos e Agroecologia (Papaa). Pequeno agricultor de Riachão do Jacuípe, ele contou que se tornou mais um retirante para a cidade grande, em 2000. Três anos depois, graças ao MOC, ele estava de volta para cultivar e viver da terra, onde cria boi, cabra, galinha, peixe e abelha.

"Produzimos o ano inteiro e vivemos 100% da renda tirada do nosso pequeno pedaço de chão", disse, orgulhoso. O exemplo de Eduardo virou modelo para outras famílias. "Recebemos mais de 700 visitas e famílias interessadas em conhecer", disse. Segundo ele, sua atividade se baseia em três princípios: ser economicamente viável para garantir o sustento da família; ser ecologicamente correto, preservando 40% da mata nativa e socialmente justo. 

Entre um e outro pronunciamento, Gika pediu que Hiolany Carneiro mostrasse sua linda voz acompanhada pelo próprio violão. A primeira canção em honra aos 50 anos do MOC. Ela também cantou Raízes, Filha do Sertão e Vida Boa. Célia Firmo ocupou a tribuna para ressaltar a honra de fazer parte da família MOC. Ela elogiou o gabinete de Gika ao lembrar que no mesmo dia em que foi lançada a campanha dos 50 anos, a assessoria do parlamentar ligou para oferecer apoio. 


Sonalice de Santana, da Rede de Produtoras da Bahia, falou sobre o Programa de Fortalecimento de Empreendimentos Econômicos Solidários. Proveniente de Riachão do Jacuípe, ela tratou do empoderamento das mulheres proporcionado pelo MOC. Temos dezenas de famílias produzindo artesanato, bolos e sequilhos. "Mulheres ganhando seu próprio dinheiro", disse. A secretária de Políticas para as Mulheres, Julieta Palmeira, pediu a todos que ajudassem a combater a violência contra a mulher, um verdadeiro problema de saúde pública.

Muitos foram os relatos na tarde de ontem. A educadora Fabiane Oliveira, de Conceição do Coité, falou sobre o Programa de Educação no Campo Contextualizada. Atualmente coordenadora do programa, ela contou que não estava preparada para a sala de aula no campo. "Não aprendi a enfrentar aquela realidade na universidade", lembrou, explicando que fez três pós-graduações, mas nenhuma se comparou ao treinamento proporcionado pelo MOC para a educação no campo.



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