“Promovemos medidas para fortalecer a produção pública de medicamentos no Estado da Bahia e estimular a regionalização da produção e inovação em saúde, mediante a qualificação da gestão e ampliação de investimentos na produção”. Assim falou Ronaldo Dias, diretor-presidente da Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos (Bahiafarma), na audiência pública que discutiu, ontem, na Comissão de Saúde e Saneamento, a empresa farmacêutica. O evento debateu onde está inserida a empresa, o que pode fazer pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o que a Bahiafarma representa para o mercado farmacêutico baiano e nacional.
O deputado José de Arimateia (PRB) presidiu a audiência e, na oportunidade, tirou dúvidas sobre a produção de dados e do consumo da quantidade de medicamentos. O parlamentar também questionou o desperdício de remédios pelo Governo do Estado e Ministério da Saúde.
TREJETÓRIA
A Bahiafarma foi fechada em 1996 e extinta em 1999. Recriada em 2010, por meio da Lei 11.371, de 4 de fevereiro de 2009 e da aprovação de seu estatuto em 2010, sob o modelo de fundação. Segundo Ronaldo Dias, a Bahiafarma, como laboratório oficial, é parte fundamental para garantir o abastecimento do SUS.
A Fundação, vinculada à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), tem como finalidades a realização de pesquisa científica e a promoção de desenvolvimento tecnológico e inovação no campo farmacêutico e da saúde.
“A Assembleia Legislativa aprovou a nova Lei da Bahiafarma, 13.453/2015, que possibilitou ampliar o escopo produtivo da fundação, permitindo os movimentos que estamos fazendo”, disse Paulo Costa, diretor administrativo da Bahiafarma.
O Brasil hoje possui 22 laboratórios públicos, com foco na assistência à população e regido por uma política de Estado, uma ação de âmbito nacional.
PIONEIRISMO
A Bahiafarma se destacou por ter lançado o teste rápido para detectar a Zika. A partir do teste, foi permitido o desenvolvimento de uma plataforma tecnológica. O laboratório baiano passou a ser protagonista nacional no diagnóstico e se tornou fornecedor do teste para o Ministério da Saúde.
O laboratório ainda produz teste rápido para detectar variados tipos de dengue, Chikungunya, sifílis e HIV. A Bahiafarma ultrapassou a Fiocruz em número de testes realizados.
Também tem sido o foco da fundação a criação de órteses e próteses. Ronaldo Dias disse que o elevado número de vítimas de acidentes de moto tem criado uma demanda significativa. “Estamos buscando um produto de qualidade e acessível ao sistema público”, disse.
O diretor-presidente da entidade ainda falou do desejo do governador Rui Costa em transformar a Bahiafarma em pioneira na produção de medicamento para tratar a anemia falciforme.
INSULINA
A trajetória da Bahiafarma culminou com a aprovação do projeto para produção da insulina humana. O laboratório vai atender cerca de 5 milhões de brasileiros, dos quais mais de 3,5 milhões no SUS. “Com isso, coloca o Estado da Bahia no eixo da produção farmacêutica nacional: de desenvolvimento e renda”, disse o presidente da Bahiafarma.
A produção de insulina pela Bahiafarma, em parceria com a Indar, resultará na construção de uma fábrica em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador, com capacidade para atender a demanda do Ministério da Saúde.
“O Estado está olhando onde podemos ter economicidade e agilidade no que diz respeito ao medicamento. É muito mais barato fazer saúde com prevenção”, afirmou o líder do governo, deputado Zé Neto (PT).
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