Todos os 32 deputados estaduais presentes à sessão de ontem da Assembleia escutaram em respeitoso silêncio o indignado discurso feito da tribuna pelo deputado Marcelo Nilo. Além da solidariedade para com o ex-presidente do Legislativo e seus familiares, o tom dos aparteantes teve como eixo a crítica às medidas policiais “espetaculares” que rendem condenações prévias na mídia – muitas vezes indeléveis na comunidade nesses tempos de descrédito da classe política. Eles reafirmaram a confiança no julgamento final da Justiça Eleitoral em reconhecer a inocência de Marcelo Nilo.
Foi lamentado também a espetacularização pela mídia dessa e de outras investigações. Para os deputados, esse fenômeno nem tão recente transforma algo rotineiro, como uma investigação judicial, num espetáculo, o que rende indesejável generalização, e o atingimento de todo o Parlamento, que é triturado pela opinião pública. Nos apartes, ficou evidente que para alguns dos parlamentares presentes que a ninguém é dado um verdadeiro direito de defesa.
Houve ainda defesas, em verdadeira profissão de fé da política, como a atividade nobre que é, indispensável à democracia, ao desenvolvimento com justiça social e à civilização das relações institucionais. Existiu também a “cobrança” da responsabilização de acusadores levianos que não sofrem nenhum tipo de sanção, quando a inocência de investigados (ou acusados) é proclamada em tribunais.
As falas dos parlamentares foram suprapartidárias. Governo e oposição trataram a operação policial a uma só voz, como excessiva, e no mesmo tom invocaram o passado correto e sem mácula do deputado Marcelo Nilo na sua já longa trajetória política, iniciada na Assembleia em 1991. A insegurança jurídica que cerca a atividade política no Brasil também foi lamentada, pois, para os oradores, a apuração de fatos não pode ser realizada ferindo ou suprimindo direitos constitucionais e legais.
Foi igualmente reafirmada a necessidade das práticas políticas serem realizadas às claras, com transparência, permeável a qualquer investigação, bem como a despolitização do Judiciário, inclusive em suas mais altas instâncias e lembrado que os ministros da Suprema Corte americanas não dão entrevistas e são, em sua maioria, desconhecidos dos americanos – algo que não acontece aqui.
Todos frisaram o pesar que sentem pelo momento de desconforto vivido pelo ex-presidente da ALBA e sua família, instando-o a persistir com seu trabalho político, a superar a calúnia, pois tem a confiança de todos que o conhecem, já que toda noite tem aurora e a verdade é a sua principal aliada.
Apartearam Marcelo Nilo os deputados Rosemberg Pinto (PT), Ivana Bastos (PSD), Sandro Régis (DEM), Alex Lima (PTN), Jânio Natal (PTN), Luciano Ribeiro (DEM), Pastor Sargento Isidório (Avante), Maria del Carmen (PT), Zé Neto (PT), Joseildo Ramos (PT), Luiza Maia (PT), Fátima Nunes (PT), Adolfo Viana (PSDB), Hildécio Meireles (PMDB), Euclides Fernandes (PDT), Bobô (PC do B), Ângela Sousa (PSD), Leur Lomanto Jr. (PMDB), Luciano Simões Filho (PMDB), Jurandy Oliveira (PRP), Robinho (PP), Pablo Barrozo (DEM), Aderbal Caldas (PP), Fabíola Mansur (PSB), Carlos Geilson (PSDB), Targino Machado (PPS), Antônio Henrique Júnior (PP), Samuel Júnior (PSC), Alex da Piatã (PSD), Angelo Almeida (PSB) e Angelo Coronel (PSD).
Nota pública dos advogados reforça convicção na inocência de Nilo
A defesa do deputado Marcelo Nilo, representada pelas advogados Sérgio Habib, Thales Habib e André Requião, esclarece que a operação policial que resultou em busca e apreensão em sua residência e no seu gabinete parlamentar foi inteiramente desnecessária, uma vez que em nenhum momento o deputado procurou esconder provas ou influenciar na investigação dos fatos que estão sendo apurados no processo que tramita pela Justiça Eleitoral. Demais disso, ele nada tem a esconder, sua vida pública é conhecida por todos, jamais praticou qualquer ato ilícito como será amplamente demonstrado dentro dos autos. Não será esta a primeira nem a última vez em que procedimentos investigatórios são realizados, muitas vezes com medidas drásticas e espetaculares, e que resultam em arquivamento ou julgamento absolvendo os investigados.
Certamente assim será no presente caso em que se acredita inteiramente na improcedência das suspeitas em face da conduta sem máculas do deputado Marcelo Nilo e na isenção e seriedade da Justiça para apurar e julgar todos esses fatos.
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