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Parlamentares se solidarizam com Marcelo Nilo

Publicado em: 14/09/2017 00:00
Editoria: Diário Oficial

Ainda enlutado, Coronel lamentou pré-julgamento. Ex-presidente fez um pronunciamento marcado pela emoção. Neto fez questão de elogiar trajetória do correligionário. Leur lamentou prejuízo
Foto: Arquivo/Agência-ALBA

Foi atípica a sessão de ontem da Assembleia Legislativa. Um acordo de lideranças cedeu todo o tempo do pequeno expediente – o pinga fogo – ao deputado Marcelo Nilo (PSL), alvo de operação da Polícia Federal que apura se ele é dono da empresa Bahia Pesquisa e Estatística (Babesp). Ex-presidente do Legislativo, o parlamentar falou durante 20 minutos. A defesa contundente expressou a sua inconformidade com a ação espetaculosa da polícia, pois jamais se negou a prestar esclarecimentos a esse processo que tramita na Justiça Federal.


Todos os deputados estaduais presentes à sessão (32) o apartearam. Todos convictos de que a razão está com o deputado Marcelo Nilo, merecedor, portanto, de solidariedade e apoio político. Foi unânime também a crítica à “ação midiática da PF” que resulta, para a opinião pública, em uma condenação antecipada antes mesmo de haver alguma acusação formal – pois até o momento existe apenas, e tão somente, uma investigação no âmbito da Justiça Eleitoral. Porém, como destacaram os líderes do governo e da oposição, deputados Zé Neto (PT) e Leur Lomanto Jr. (PMDB), o prejuízo para a imagem pública de um político com 28 anos de atuação sem qualquer mácula é terrível.


O presidente da ALBA, deputado Angelo Coronel, ainda enlutado pelo sepultamento do pai, Orlando Alves Martins, foi o último a se pronunciar. Solidarizou-se, em nome de toda a Mesa Diretora, com seu antecessor e familiares atingidos. Ele lamentou o pré-julgamento da mídia, que representa uma condenação antecipada, registrando que essa atitude atinge a todos os integrantes do Parlamento. Coronel fez profissão de fé na inocência de Marcelo Nilo, a quem afirmou conhecer  "como um homem digno, desde 1984”. Ele foi além e deixou uma reflexão no ar: “Quem será responsabilizado? Qual a sanção que os algozes, os acusadores de hoje, sofrerão quando a inocência do agora investigado estiver provada?”.


O deputado Angelo Coronel ainda observou que “bom é acusar, sendo isso mais fácil de fazer, porém os acusadores precisam ser conhecidos, personalizados, o que, de fato não acontece em nosso país e precisa mudar com urgência”. A legislação vigente, prosseguiu, “precisa ser alterada, pois a verdade é que ninguém pode ficar acima da lei, inclusive, quem acusa levianamente e depois ficar o dito pelo não dito”.


No pronunciamento que fez, no calor da emoção, o deputado Marcelo Nilo disse que já enfrentou a morte do pai, da mãe e de um irmão, pedindo perdão aos entes queridos pela comparação, mas “hoje foi o dia mais difícil de toda a minha vida”. Ele iniciou o discurso lembrando o ex-governador Otávio Mangabeira conhecido pela frase: “Pense num absurdo, que na Bahia tem precedente”. Frase mais atual que nunca – hoje, 70 anos depois de sua posse como governador de nossa terra, completou. O “absurdo” da invasão de sua privacidade, acrescentou, "pode acontecer com qualquer pessoa nesses tempos estranhos que vivemos", lamentou.


Para ele, a inviolabilidade de seu lar, algo constitucionalmente garantido, foi quebrada por uma investigação na Justiça eleitoral em que está arrolado também supostamente por manipular pesquisas de eleitorais para beneficiar o então candidato Rui Costa: “Como se pode falar em manipulação quando esta empresa acertou em cheio a vitória de Rui Costa frente a Paulo Souto, aliás a primeira empresa a fazer isso?”. Foi a campanha do candidato derrotado que, na busca da desqualificação do instituto, colocou o presidente da Assembleia (aliado do petista Rui Costa) como pretenso dono da Babesp. Marcelo Nilo assegura que conhece os donos da Babesp, é cliente (e não escamoteia esse fato), nada além isso. E repetiu: "Não sou dono da Babesp e nunca fui acusado de cometer irregularidades".


Ele historiou brevemente seu relacionamento comercial com a empresa de pesquisas, pagando por todas as consultas que encomendou. Frisou seus 28 anos de vida pública “sem qualquer acusação sobre malversação de recursos” e lembrou que todas as suas contas como presidente da Embasa, ou na presidência do Legislativo por dez anos, apreciadas pelo Tribunal de Contas, foram aprovadas. O mesmo acontecendo com as prestações de contas junto à Justiça Eleitoral. Citou ainda todos os cargos que ocupou nessa já longa trajetória, inclusive os 16 anos na oposição ao carlismo – quando não se entregou – para reafirmar que continuará a trabalhar com “a cabeça erguida”, pois confia na Justiça e sabe que a tempestade passará e a sua inocência será “proclamada”.


Entretanto, manifestou a sua tristeza e decepção com a “desnecessária” ação policial, porque já havia se colocado à disposição do TRE para prestar quaisquer esclarecimentos e, por ofício, pedido uma audiência ao procurador responsável pela investigação – marcada para o próximo dia 20. “Não há nada no mundo que compense ou repare o constrangimento que passei em minha residência – em meu lar. A violência que atingiu a mim, minha esposa, filhas e neta foi absurda. Bem como o prejuízo pessoal, moral e político que amargo hoje é imensurável”.


O deputado Marcelo Nilo agradeceu os apartes de apoiamento e solidariedade, unânimes dos companheiros de Parlamento e, ao deixar a tribuna, foi agradecer as palavras do presidente Angelo Coronel, que “tanto honra a cadeira de presidente do Poder Legislativo”. Agradeceu também aos muitos colegas que foram ao gabinete se solidarizar e reafirmou a sua disposição de tudo esclarecer com o máximo de rapidez possível.

 



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