A Comissão Especial da Promoção da Igualdade da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Bira Corôa (PT), promoveu ontem a avaliação dos 10 anos da criação do marco de Políticas Públicas da Saúde da População Negra com viés da anemia falciforme.
O aumento da incidência bastante elevada desta doença registrando, principalmente, em média de 28 a 30 casos por mês, em crianças, num total de quase 360 durante o ano, demonstra que é uma problema de saúde pública bastante preocupante e merece das autoridades competentes todo investimento possível como a qualificação de profissionais e a construção de muitos centros específicos de saúde.
A anemia falciforme é uma doença que afeta as hemácias, especialmente na população negra. Porém pode afetar os brancos também. Os glóbulos vermelhos na anemia falciforme deixam de possuir o formato arredondado e elástico, passando a possuir a forma de uma foice, originando o nome “ falciforme”.
Nas anemias falciformes temos a presença da hemoglobina S, que é uma variante da hemoglobina. A hemoglobina S está ligada a uma mutação no gene-globínico, que codifica as cadeias. As principais consequências da anemia falciforme no organismo são dores fortes pelo corpo devidos ao bloqueio dos vasos sanguíneos, pois formato anormal das hemácias em forma de foice e não arredondadas se transportam com facilidade pelos vasos mais finos.
Outros sintomas são falta de oxigenação no corpo, pois as hemácias afetadas pela drepanocitose não carregam a quantidade normal de moléculas de oxigênio; palidez, pois hemácias anormais não carregam a quantidade correta de hemoglobina: feridas na perna: problemas neurológicos, cardiovasculares, pulmonares e renais e muitas outras.
Durante a audiência pública ficou evidenciado que é uma das doenças negligenciada cujo índice na população é alto, principalmente entre os negros, numa demonstração de como o racismo influencia na ciência, nos serviços e na construção de políticas públicas.
Porém, o coordenador de Promoção da Equidade em Saúde da Sesab, Antônio da Purificação, fez questão de destacar que na Bahia existem nos municípios do interior, nove centros especializados, onde são realizados o teste do pezinho com os recém-nascidos ou na triagem da cegonha, com as mães.
“Vamos voltar a debater este importante assunto no mês de outubro próximo. Esta sessão também foi muito importante, pois analisamos o que até então ele tem enfrentado um contexto de isolamento e anonimato, mesmo estando no estado mais negro fora da África como também na cidade mais negra fora do continente africano. A sociedade se manifestou não somente na anemia, mas também outras doenças muito mais propícias e de incidência muito alta na população negra. Começamos pela anemia falciforme, mas vamos chegar para debatermos os distúrbios cardiovasculares, o câncer, a cegueira e outras”, destacou Bira Corôa, bastante satisfeito o nível dos debates em mais uma audiência pública para tratar da saúde da população negra.
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