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ALBA expõe obras do artista plástico Genaro de Carvalho

Publicado em: 19/08/2017 00:00
Editoria: Diário Oficial

Angelo Coronel prestigiou a abertura da exposição, que contou com o apoio irrestrito da Escola do Legislativo, comandada por Fernanda Guedes
Foto: Arquivo/Agência-ALBA

A Escola do Legislativo promove esta semana uma exposição de gravuras de Genaro de Carvalho, um dos maiores artistas do grupo que renovou as artes plásticas na Bahia (e no Brasil) nos anos 40 e 70 do século passado. Falecido em 1971, aos 44 anos, no auge da fama e do reconhecimento internacional, ele esteve representado no ato de abertura da exposição por sua viúva, modelo, e musa inspiradora, dona Nair Carvalho, que trouxe para o saguão Josaphat Marinho 12 trabalhos, a maioria da fase final, abstrata, do autor.


O presidente Angelo Coronel prestigiou a exposição, cumprimentando dona Nair pelo zelo com que ela vela o legado de Genaro de Carvalho, um artista que buscou se expressar com técnicas e materiais diversos, com pintura (óleo sobre tela, aquarela), tapeçaria, muralista, decoração, serigrafia e azulejaria (em parceria com Udo Knoff). Ele destacou as grandes qualidades do homenageado e afirmou que o mesmo “foi um ícone da cultura baiana e brasileira, um artista com obras nos maiores museus de arte do mundo e que realizou em sua curta existência cerca de 50 exposições no Brasil e no exterior”.

VALORIZAÇÃO

Genaro foi contemporâneo, lembrou o presidente da ALBA, de homens do quilate de Carybé (também com obras expostas nesse programa dois meses atrás), Mário Cravo Júnior, Carlos Bastos, Calazans Neto, Floriano Teixeira e tantos outros artistas inesquecíveis. Amante das artes plásticas, ele pretende incentivar a Escola do Legislativo a valorizar o espaço para exposições da Casa, trazendo mostras de artistas significativos que poderão exibir seus trabalhos para as quase três mil pessoas que visitam a Assembleia diariamente.


O deputado Angelo Coronel elogiou o trabalho, o legado de Genaro de Carvalho, pois considera “a obra do artista como um patrimônio da Bahia”, lembrando a importância “artística e, por que não, histórica” do enorme painel (são 200 metros quadrados) que ele pintou no hotel da Bahia, quando de sua inauguração nos anos 50 do século passado – ainda existente no local. Dona Nair acrescentou que aquele “trabalho monumental” foi pintado quando Genaro tinha apenas 23 anos de idade, mas já era um dos artistas proeminentes daquela Bahia cheia de vida e cultura.


Nessa pequena mostra, que irá até sexta-feira, às 13h, aberta nos demais dias da semana das 9 às 18h, o artista esteve presente não só pelos trabalhos expostos, mas pela vivacidade da viúva,  que lembra a coincidência do seu falecimento com a data maior do Estado, o dia 2 de julho. Ela informa que ele foi, em essência, autodidata. Aprendeu a pintar com seu pai, pintor, também autodidata Carlos Alberto de Carvalho, mas estudou Desenho na Escola Sociedade Brasileira de Belas Artes no Rio de Janeiro.
Inicialmente, um artista figurativo, pintou marinhas no início da carreira, depois retratos, nus, derivando para a temática nordestina e pelo abstrato em sua evolução como artista, processo que o levou a tentar outros materiais e formas de se expressar. Ela mesma, mulher belíssima, “manequim”, como se dizia na época, foi modelo de vários retratos pintados por seu amado – de quem preserva a arte, a história e a importância para o universo das artes plásticas, fundador que é da tapeçaria artística no Brasil, conforme atesta verbete da coleção Delta Larousse, edição de 1955.


Organizada ao extremo, ela lembra que entre os anos 1945 e 1971, que o marido ganhou prêmios, expôs no exterior, inclusive um circuito que passou por 50 cidades americanas, participou de bienais e teve uma de suas obras adquiridas pelo então governador Luís Viana Filho para presentear a rainha da Inglaterra, quando de sua visita à Bahia. Buscando apoio para a criação da Fundação Genaro de Carvalho – para preservação de uma obra universal, mas essencialmente baiana – ela tem um rico acervo de telas, tapeçarias, gravuras, objetos de uso pessoal, documentos, mobiliário e até a máscara mortuária do artista para enriquecer o acervo desse centro de memória.


O presidente Angelo Coronel disse que a ALBA estará sempre aberta para exaltar a cultura baiana. “Estou lisonjeado ao ser recebido também pela viúva Nair Carvalho, a grande musa e atriz coadjuvante de toda a sua vida, principalmente na tapeçaria (ela ajudou a refinar os pontos utilizados)”, e se comprometeu a trabalhar junto ao Governo do Estado para conseguir o apoio necessário ao objetivo de garantir a criação da Fundação Genaro de Carvalho, autor de uma obra que é patrimônio da Bahia”, concluiu.



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