MÍDIA CENTER

Fabíola Mansur propõe sessão em homenagem a Mestre Didi

Publicado em: 13/07/2017 00:00
Editoria: Diário Oficial

Socialista disse que é importante saudar ?tão imporante personalidade baiana?
Foto: Arquivo/Agência-Alba
Em homenagem ao centenário de Deoscóredes Maximiliano dos Santos, mais conhecido como Mestre Didi, a deputada Fabíola Mansur (PSB) realizará uma sessão especial, no dia 6 de novembro, às 10h, no plenário da Assembleia Legislativa da Bahia, “para saudar tão importante personalidade baiana”.

Filho de Maria Bibiana do Espírito Santo, a Mãe Senhora do Ilê Axé Opô Afonjá, e Arsênio dos Santos, Mestre Didi nasceu em Salvador em 2 de dezembro de 1917. Foi sacerdote, escultor e escritor, com grande contribuição intelectual e religiosa. Iniciado aos sete anos, Didi foi um dos mais importantes sacerdotes do culto aos egunguns no mundo. Expoente no meio artístico, levou seus trabalhos para além das fronteiras brasileiras. 
Em sua linha religiosa, Mestre Didi construiu uma relação estreita com o Continente Africano, principalmente com o reino ketu. Em uma das suas visitas à África, ele teve o reconhecimento de Alaketu, Rei do Ketu, sendo convidado como membro da família e não como um mero visitante. De presença mítica na Bahia, tornou-se o sumo sacerdote alapini – Ipekun Oye, a mais alta hierarquia no culto aos ancestrais na tradição Iorubá. 


                   MEMÓRIA


Aos 55 anos de idade, fundou o candomblé de culto aos ancestrais ilê asipá, ainda em atividade em uma das transversais da Rua Orlando Gomes, em Salvador. Os asipás, caçadores ligados a Oxóssi, transmitem a ideia de segurança. Não por acaso as obras do Mestre Didi traduzem toda sua religiosidade, assimilando signos do candomblé, sua relação direita com os orixás e os elementos da natureza. Mestre Didi morreu em 6 de outubro de 2013 e deixou como viúva a antropóloga Juana Elbein dos Santos.

Segundo Fabíola, proponente da homenagem, “não apenas pela generosa contribuição às artes, mas também pela preservação da memória afro-brasileira e aos cultos de matriz africana, Mestre Didi merece uma homenagem desta Assembleia Legislativa pela passagem do seu centenário de nascimento”. 

O artista e diretor curador do Museu Afro Brasil, Emanoel Araújo pontua que Mestre Didi sempre foi um homem voltado para a cultura e a vida afro-brasileira nos muitos livros que publicou sobre o culto dos ancestrais, no qual tinha o honroso cargo de alapini. “Foi um artista escultor de lindas obras, cuja temática falava desse extraordinário universo das coisas da África mítica, onde os deuses estão na terra, e por isso suas esculturas eram totêmicas, saíam do chão para alcançar o infinito”, disse.


CONTRIBUIÇÃO


Seu primeiro livro, “Yorubá tal Qual se Fala” foi lançado em 1946. Mestre Didi possui livros editados em português, espanhol, inglês, francês e yorubá. Sua obra literária está reunida em volumes como “Contos Negros da Bahia” (1961) e “Contos de Nagô” (1963) da editora G.R.D, dentre outros. Com várias premiações, suas obras são disputadas por galerias de arte e avalizadas por nomes como Jorge Amado e Emanoel Araújo. 
Em 1989, as esculturas de Mestre Didi se destacaram na célebre exposição Magiciens de la Terre, no Centro Georges Pompidou, em Paris, momento decisivo para o reconhecimento internacional de seu trabalho. Com o tempo, passou a ser estudado por historiadores, linguistas e críticos de arte e de literatura. 


Compartilhar: