Por iniciativa da deputada Fabíola Mansur (PSB), a Assembleia Legislativa vai realizar sessão especial para homenagear o centenário do trovador e cordelista Rodolfo Coelho Cavalcante.
Jornalista e poeta popular, Rodolfo Coelho Cavalcante nasceu em Rio Lago, Alagoas, no dia 12 de março de 1917. Filho de Artur de Holanda Cavalcante e Maria Coelho Cavalcante, aos 13 anos deixou a casa paterna e percorreu parte do Norte e do Nordeste do Brasil, passando especificamente os estados de Alagoas, Sergipe, Ceará, Maranhão e Piauí, exercendo atividades circense como palhaço, propagandista e camelô, visando auxiliar as finanças familiares.
Mas foi na passagem pelos estados da Paraíba e Piauí que Rodolfo fez seu primeiro investimento no cordel, adquirindo para revenda os folhetos do poeta e editor João Martins de Ataíde, dando início à atividade de folheteiro. Jornalista, chegou à Bahia na década de 40, no período de ouro da literatura de cordel no estado. Em 1945, já instalado em Salvador, inicia o movimento em defesa da classe dos poetas, publicando um folheto dedicado ao então governador, Otávio Mangabeira, que liberou os poetas, cantadores e folheteiros da proibição de comercializarem seus produtos em praças públicas.
Dez anos depois, mais precisamente em 1955, promoveu, ao lado de Manoel D’Almeida Filho e outros expoentes da poesia popular, o I Congresso Nacional de Trovadores e Violeiros, ocasião em que foi fundada a Associação Nacional de Trovadores e Violeiros, atualmente Grêmio Brasileiro de Trovadores, com sede em Salvador. Como jornalista, fundou alguns periódicos, como ‘A Voz do Trovador’ e ‘O Trovador e Brasil Poético’, órgãos do movimento trovadoresco, sempre visando a união dos cantadores. Foi autor do Hino dos Trovadores.
Segundo Fabíola, o envolvimento de Rodolfo com a cultura popular o levou a militar também no jornalismo e, posteriormente, a auxiliar na fundação da Associação de Imprensa Periódica da Bahia. A deputada acrescenta que o poeta também atuou como editor, promovendo uma significativa rede de distribuidores em todo o Nordeste brasileiro, divulgando sua própria obra e de outros poetas. “Seu importante trabalho percorria vários temas sendo os mais recorrentes os abecês, biografias, cantorias e fatos do cotidiano”, afirma.
Até o final da vida, Rodolfo havia escrito cerca de dois mil folhetos sobre os mais variados temas que chegava a todos os públicos. As personalidades escolhidas pelo cordelista para resenhar eram variadas, desde Simões Filho ate Platão e Sócrates. Tido como o ‘porta voz’ da categoria, foi presidente, em várias gestões, da Ordem Brasileira dos Poetas de Literatura de Cordel. Lutou bravamente pela devolução da Banca do Trovador no Mercado Modelo, e só sossegou quando conseguiu um lugar digno para os companheiros.
Após uma vasta produção e luta permanente em defesa da cultura popular, Rodolfo morreu em 7 de outubro de 1986, vítima de atropelamento em frente a sua residência na cidade do Salvador.
Como um dos grandes defensores da cultura popular, Rodolfo deixou um legado ímpar para a cultura regional diluído em obras como: ABC da Carestia, O Adeus a Juraci, O Casamento do Macaco com a Raposa e As Belezas de Brasília e as Misérias do Nordeste.
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