As ações da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult) foram apresentada ontem por Jorge Portugal, no plenarinho da Assembleia Legislativa, em audiência pública promovida pela Comissão de Educação, Cultura, Ciência Tecnologia e Serviços Públicos. Proponente da reunião, a deputada estadual Fabíola Mansur (PSB) disse que “o secretário Jorge Portugal tem assegurado o espaço de diálogo com os deputados nesta Casa. Precisamos dar visibilidade as ações da cultura por entender que ela é um dos pilares para o desenvolvimento da Bahia”.
Fabíola Mansur afirmou que o Governo do Estado está passando por dificuldades financeiras e que o governador Rui Costa está sabendo gerir com muita competência esse problema, mas criticou o contingenciamento que atinge o setor da cultura. “Nós, que temos interesse na ampliação das ações de cultura, precisamos nos unir para fazer a disputa pelo orçamento. E esperamos que o governador Rui Costa tenha sensibilidade, seja pioneiro e aumente para 1,5% a porcentagem do orçamento para o setor”.
O secretário de Cultura falou sobre os programas em execução na pasta, ressaltando que seu trabalho dá continuidade às gestões anteriores de Márcio Meirelles e Albino Rubim. Jorge Portugal afirmou que a pasta é responsável por 17 espaços culturais, 270 pontos de cultura (política iniciada com o ministro Gilberto Gil e que está desativada em todo Brasil, menos na Bahia) além de 187 filarmônicas. “A Secult é infinitamente menor que a cultura da Bahia”, afirmou.
Ele informou também que a pasta apoia eventos calendarizados e ações continuadas. “Nós apoiamos o Carnaval 2017 (Ouro Negro/ Pelô e Pipoca) e também ajudamos através do fomento setorial o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), Associação de Letras da Bahia (ALB), Teatro Gamboa, Teatro Vila Velha, além de festivais de música e de cinema”.
Entre os vários assuntos tratados pelo secretário, destacou-se o projeto Concha Negra. Pelo projeto, a Concha Acústica será usada pelas entidades afro-baianas como espaço de eventos. “Vamos ocupar aquela esplanada com toda cultura afro-baiana, moda, gastronomia e música. Toda a renda será revertida para a entidade produtora do evento. Com preços populares para que todos possam participar”, afirmou o secretário.
REIVINDICAÇÕES
O presidente do Olodum, João Jorge, disse que a cultura é a marca indelével da Bahia, no Brasil e no mundo. Ele afirmou que todos os grupos de samba ou blocos afros estão passando por dificuldades financeiras. “O Estado oferece subsídios para a indústria petroquímica, de pneus. Precisamos de políticas públicas mais ousadas e criativas. Os artistas não podem ficar 120 dias para receber seu cachê. É uma cadeia produtiva que vai do segurança ao cantor”, afirmou João Jorge.
Já o presidente do Conselho Estadual de Cultura, Emílio Tapioca, lembrou a importância de cada mestre de ofício, cada grupo é de fundamental importância para se entender a identidade cultural baiana. “Não estamos apenas discutindo a circunstância, passou da hora de mudarmos a forma de fomentar a cultura para que esses entes passem a existir de fato e de direito”, completou Tapioca.
O evento contou com as presenças dos deputados estaduais Bira Corôa (PT), Rosemberg Pinto (PT) e Roberto Carlos (PDT), além de artistas e produtores culturais.
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