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Presidente recebe comissão de comerciantes do Pelourinho

Publicado em: 06/06/2017 00:00
Editoria: Diário Oficial

Ao lado de Pablo Barrozo, Angelo Coronel se comprometeu com a luta capitaneada pelo agitador cultural Clarindo Silva
Foto: PauloMocofaya/Agência-Alba
Uma comissão formada por comerciantes do Pelourinho, capitaneada pelo agitador cultural Clarindo Silva, se reuniu ontem, no Salão Nobre da Assembleia Legislativa da Bahia, com o presidente da Casa, Angelo Coronel, e com o deputado  Pablo Barrozo (DEM). Os comerciantes vieram buscar apoio do Legislativo baiano para as suas reivindicações, entre elas a atuação do Instituto do Patrimônio Cultural (Ipac), a reforma simultânea das praças que promovem shows e um novo Refis para os comerciantes permissionários que não estão conseguindo pagar suas dívidas.


O presidente já havia recebido Clarindo Silva juntamente com o deputado do DEM para tratar da reabertura das praças no período do São João, o segundo de melhor faturamento para os comerciantes, perdendo apenas para o carnaval, num contexto em que durante o período de festas esses pontos turísticos permanecerão fechados – impedindo capoeiristas, vendedoras de acarajé (ambos expressivamente representados na reunião de ontem) e outros pequenos comerciantes de trabalhar. Diante de todos, o deputado Angelo Coronel telefonou para o secretário da Cultura Jorge Portugal, contando sobre as reivindicações que estavam sendo expostas e se declarou um amigo do Pelourinho.


No telefonema, o secretário de Cultura abriu a possibilidade de um encontro com os comerciantes o mais rápido possível e uma conversa ficou de ser marcada. O secretário Jorge Portugal disse que a questão do forró no Pelourinho será equacionada. Os largos serão fechados somente quando o cronograma de obras for fechado e os recursos para a execução das obras forem liberados, são R$ 2,4 milhões. A reforma deve durar três meses e os serviços não impedirão a realização da festa de São João do Pelô, assegura o secretário de Cultura, pois serão montados palcos no Terreiro de Jesus, Largo do Pelourinho e no Cruzeiro de São Francisco. A reivindicação é de fechamento paulatino dos largos, nunca os três de uma só vez.


O deputado Angelo Coronel defendeu a ação do Governo do Estado para revitalizar a área, mas jogou parte de “fatura” para o prefeito ACM Neto, o atendimento de pedidos de sombreiros e outros aparatos para os pequenos comerciantes. Ele revelou que já havia levado o assunto do fechamento das praças do Pelourinho para reforma e que o governador ficou irritado quando soube que elas estavam sendo feitas simultaneamente e suspendeu as reformas. “Sobre uma nova proposta de Refis, o governador ficou de me dar uma resposta ainda esta semana”, disse Angelo Coronel.



Para o deputado Pablo Barrozo (DEM), o Pelourinho é de todos os baianos e maior do que a luta partidária. “O fato de as vezes não se encontrar uma baiana de acarajé no Pelourinho é o exemplo maior que a decadência se instalou. Vivemos dias sombrios, precisamos trabalhar”, afirmou o deputado. Parlamentar com expressiva votação na capital, ele traçou um impressionante panorama do desgaste daquele que é o sítio histórico mais importante da capital, um patrimônio da humanidade, que não pode ficar deserto, abandonado, pois é a representação de nossa cidadania e história.

CRISE

Segundo Clarindo Silva, dos 230 estabelecimentos funcionando no Pelourinho, 160 estão prestes a fechar as portas por não conseguirem pagar suas obrigações. “Não temos eventos nas praças, a festa da benção foi esquecida. Estamos vendo o Pelourinho sangrar em cada beco”, afirmou Clarindo Silva. Ele próprio demitiu nove dos 16 funcionários de sua Cantina da Lua, e lamenta o desencanto e o desemprego que estão campeando ali. Já a escritora e diretora de teatro Aninha Franco afirmou que está na hora de se pensar o Pelourinho como a jóia que ele é. “De 2004 para cá o Pelourinho tem sido desmontado. Nos últimos 15 dias acompanhamos seis despejos autoritários (pelo Ipac). Precisamos de vocês, deputados, precisamos que o Legislativo defenda o Pelourinho do Poder Executivo”.


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