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Líderes comunitários são homenageados em sessão especial

Publicado em: 05/05/2017 00:00
Editoria: Diário Oficial

Fabíola Mansur disse que as lideranças fazem "a verdadeira democracia lá na ponta, nas periferias das grandes cidades"
Foto: JulianaAndrade/Agência-Alba
Dar visibilidade ao trabalho dos líderes comunitários nos bairros periféricos de Salvador e de outros municípios baianos foi o objetivo principal da deputada Fabíola Mansur (PSB) ao propor e realizar, na manhã de ontem, uma sessão especial na Assembleia Legislativa da Bahia em homenagem a essas pessoas que, segundo a parlamentar, “fazem a verdadeira diferença nos bairros onde vivem”. 



   
                              Trabalhadores lotaram o plenário e as galerias no evento realizado ontem pela manhã


   



Não é o primeiro ato de Fabíola Mansur na Alba em homenagem às lideranças comunitárias. Ela apresentou projeto de lei que institui o 5 de maio como Dia Estadual do Líder Comunitário. Nessa mesma data já é comemorado o Dia Nacional do Líder Comunitário. “É preciso sempre homenagear essas pessoas incansáveis, deixando às vezes suas próprias famílias para se dedicar às comunidades”, acredita a deputada, lembrando que os líderes “fazem a verdadeira democracia lá na ponta, nas periferias das grandes cidades”.


REPRESENTAÇÃO


A sessão especial foi marcada por apresentações culturais de poesia, hip hop e reuniu cerca de 80 líderes comunitários de bairros populares de Salvador. “Fizemos questão de convidar não os líderes que apoiam o partido A ou B, ou votam nesse ou naquele candidato, mas os líderes que têm de fato representatividade em suas comunidades”, explicou Fabíola, logo no início da sessão.


Para a deputada, é preciso estimular a interlocução das lideranças comunitárias também com as autoridades estaduais “e não só com as dos municípios, como acontece habitualmente”. Fabíola Mansur lembrou que é papel do estado cuidar, por exemplo, das escolas de ensino médio, hospitais, unidades básicas de saúde e proteção das encostas.


Ela lembrou ainda que já existem espaços institucionalizados para que os cidadãos de forma geral tenham maior participação nas decisões que afetam às comunidades. E citou como exemplo disso os conselhos municipais e estaduais, as audiências públicas e o orçamento participativo. “É verdade que esses espaços precisam ser melhor atendidos pelos gestores públicos”, ressaltou. “Muitos encaminhamentos feitos nas audiências públicas ou do orçamento participativo acabam não concretizados”.



A parlamentar fez questão de diferenciar os líderes “que são líderes de si  mesmos” dos “verdadeiros líderes que ralam todos os dias para melhorar a vida das comunidades”. Para ela, esses são os que precisam ser efetivamente reconhecidos. “Se tiverem só dois pães, eles darão um para quem mais precisa. Não usam a liderança para fazer a má política, não desistem nunca e fazem o que podem pela comunidade”, definiu.



LÍDERES


Presentes na sessão de ontem, esses líderes também fizeram uso da palavra e mandaram seus recados. “Senhores políticos, abram os olhos. Nós estamos nas ruas. Nós estamos de olho. Hoje, os líderes comunitários estão cada vez mais qualificados e não é qualquer um que vai entrar em nossas comunidades e receber apoio. Queremos um compromisso verdadeiro”, afirmou Súlivan Santos, líder comunitário do Subúrbio Ferroviário. Foi ele quem deu a ideia a Fabíola de apresentar o projeto de lei propondo o Dia do Líder Comunitário.


O presidente do Conselho Comunitário da prefeitura bairro de São Caetano- Liberdade, Na Fé Chico, também deu sua visão sobre o papel do líder. “O trabalho de um líder é árduo porquê a exclusão em nossa cidade é muito grande. Hoje, até para se enterrar um ente querido é uma complicação imensa e precisamos ajudar a comunidade. Tem uma pessoa que morreu no último dia 30 e só conseguimos uma vaga para enterrar no cemitério público no dia 6”, contou ele.


Já o advogado Waldemar Oliveira, presidente da Federação das Associações de Bairros de Salvador (Fabs), conclamou os líderes comunitários a se unirem. “Individualmente temos força, mas unidos temos muito mais força ainda. A Fabs já colocou duas mil pessoas na Praça Municipal obrigando o prefeito a nos receber, coisa que uma associação individualmente não teria condições de fazer”, lembrou.
Ivan Vicente, também líder comunitário do Subúrbio Ferroviário, contou que o trabalho não tem nada de fácil. “Mas viver onde vivemos já não é fácil. Nós só queremos um pouquinho, não queremos tudo, mas somos excluídos todos os dias”, alertou ele. Também participaram da sessão na Assembleia o vereador de Salvador, Orlando Palhinha (DEM) e o deputado Samuel Júnior (PSC).



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