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Coronel convoca sociedade para atuar pela paz no futebol

Publicado em: 11/04/2017 00:00
Editoria: Diário Oficial

Presidente disse que é fundamental a adoção de medidas emergenciais
Foto: Arquivo/Agência-Alba
As brigas entre torcidas organizadas, ocorridas no entorno da Arena Fonte Nova, ontem, antes do clássico BA-VI, e a morte do jovem torcedor tricolor Carlos Henrique Santos de Deus, 17 anos, após o jogo, alvejado por pessoas ainda não identificadas pela polícia, demandam a adoção de medidas emergenciais e de cunho preventivo por parte dos poderes públicos.




Esse é o teor da moção que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Angelo Coronel (PSD), está encaminhando à Mesa Diretora da  Casa. O chefe do Legislativo tem participado intensamente das discussões sobre violência na Bahia, no âmbito do programa Pacto pela Vida, em conjunto com os chefes dos demais poderes do Estado, já ocorridas em Feira de Santana, Vitória da Conquista, Eunápolis e Itabuna.



“É muito provável que aconteçam outras seis partidas entre Bahia e Vitória, num curto espaço de tempo, na Arena Fonte Nova e no Barradão, pelos Campeonato Baiano, do Nordeste e Brasileiro. A Secretaria de Segurança, o Ministério Público e o Judiciário não podem permitir que o episódio de ontem abra precedente para uma onda de violência entre as principais torcidas do Estado”, adverte o chefe do Legislativo estadual, para quem as ações devem ter celeridade e caráter preventivo.



Coronel diz que a Assembleia está de portas abertas para receber o MP, o comando-geral da PM, a SSP e a Federação Bahiana de Futebol para debater esse problema de grande relevância.



“A violência nos estádios de futebol tem crescido nas grandes capitais brasileiras, como em São Paulo, Natal, Rio de Janeiro, Recife, Goiânia, Belo Horizonte. Não podemos permitir que esse rastro nocivo se estenda para Salvador. A cultura de paz sempre permeou a prática esportiva na Bahia entre as torcidas, inclusive no futebol. Salvador não pode virar uma praça de guerra”, preocupa-se Coronel.




Outro cuidado do presidente da Assembleia é com a utilização dessas torcidas pelo crime organizado. Ele lembra que em São Paulo, depois de investigações do Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), após a morte do fundador e ex-presidente da Mancha Alviverde, Moacir Bianchi, em fevereiro passado, a polícia constatou a defesa de interesses do crime organizado dentro das torcidas uniformizadas.




ESTUDO DA VIOLÊNCIA




O Brasil é o país com mais mortes em brigas entre torcidas organizadas no mundo, aponta estudos do sociólogo Maurício Murad. Ano passado, até abril, cinco pessoas haviam sido assassinadas em guerras entre torcidas. Nos últimos anos foram punidos apenas 3% dos crimes mais comuns cometidos nos estádios de futebol, a exemplo de racismo, xenofobia, machismo, agressão, mutilação e morte.




Medidas têm sido aplicadas e discutidas pelos Ministérios Públicos estaduais como forma de coibir a violência nos estádios e cercanias, como torcida única nos jogos de grande apelo de público (clássicos), banimento de torcida uniformizada, obrigatoriedade de apresentação nas Delegacias, horas antes das partidas, daqueles torcedores já registrados pela polícia, entre outras iniciativas.


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