O Dia Nacional dos Animais foi comemorado ontem em sessão especial que reuniu representantes do setor público, de organizações não governamentais e pessoas da sociedade que se preocupam com o tema. A data entrou definitivamente na pauta da Assembleia Legislativa pelas mãos do deputado José de Arimateia (PRB), que propõe a realização da sessão há seis anos consecutivos, entre outras ações.
No discurso de abertura, o parlamentar fez uma rápida prestação de contas do mandato, em torno do tema, revelando que, mesmo com a força do Parlamento, muitas vezes enfrenta as mesmas dificuldades dos protetores que atuam anonimamente em prol da causa animal.
MARCO
“Esta mobilização não é uma mera lembrança pela passagem de mais uma data no calendário festivo”, disse o deputado, enfantizando que a data precisa “ser vista como um marco de consciência e reflexão, um momento para pensarmos em nossas atitudes e responsabilidades sobre seres menos favorecidos racionalmente, menos autossuficientes e mais indefesos”.
O parlamentar lamentou que “infelizmente ainda não teve mudanças positivas” no quadro em que existem cerca de 100 mil cães e gatos em condições de abandono em Salvador e 30 milhões vagando pelas ruas do país, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Por conta disso, Arimateia fez uma exortação ao acolhimento responsável.
“A adoção de um animal é um ato de amor, mas requer planejamento e muita responsabilidade”, disse, defendendo que uma reflexão antes de buscar a posse de animais e gatos pode “pelo menos ajudar a diminuir os altos índices de abandono destes seres”. Um dos sábios conselhos: “Converse consigo mesmo e tenha certeza de que poderá assegurar ao animal educação, paciência, carinho e atenção.”
INQUIETUDE
“Como parlamentar, tenho estado tão atento quanto inquieto perante a situação dos animais”, afirmou, informando que, “desde o primeiro mandato, tenho lutado por esta causa, com algumas vitórias e outras batalhas a serem vencidas. Ele citou o exemplo da aprovaçãodo seu projeto de lei que cria a semana de conscientização e proteção dos direitos dos animais, no início do ano passado.
Arimateia pediu sensibilidades aos colegas de Parlamento e ao governo do estado, no sentido de viabilizar a aprovação e implementação de dois outros projetos de sua autoria: o 22.160, que determina multa a quem agir com crueldade contra os bichos, e o 22.161, que cria o disque-denúncia, justamente para que a população possa denunciar os abusos. Algumas outras iniciativas de lavra própria e que estão em tramitação foram citadas pelo deputado.
CONTROLE
O deputado Aderbal Caldas (PP) ocupou a tribuna para elogiar a sensibilidade de Arimateia para trazer a causa animal ao plenário da Assembleia e recitou o poema Passaro Cativo, de Olavo Bilac, que defende a liberdade das aves, mostrando a crueldade que há nas armadilhas e nas “gaiolas douradas”.
Janaina Rios e Maria das Graças ocuparam a tribuna para falar sobre as vicitudes de quem enfrenta, no dia a dia, da batalha da proteção dos animais em Salvador e Feira de Santana. “Se morrermos e formos para o inferno vai ser até bom, por que já vivemos no purgatório”, dramatizou Janaina para ilustrar as dificuldades que enfrenta de fazer valer os direitos, principalmente na periferia.
O discurso de Janaina inclusive endossou o de Ana Sales, do Centro de Controle dos Animais de Salvador, no sentido dos avanços alcançados nos últimos anos. Ana citou que, no ano passado, foram castrados mais de 11 mil cães e gatos, número muito superior aos 64 registrados em 2008. “De fato houve grande evolução, por que há dez anos, o CCZ capturava e matava os animais”, lembrou Janaina. Josiano Torezani, do Ibama, versou sobre a luta dos órgão para educar a população e proteger os animais silvestres.
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