A Bahia está em crise. Hídrica. “Gravíssima”. Todas as barragens do Estado estão operando com os reservatórios em níveis bem abaixo da capacidade e dos verificados há um ano. A Barragem do Apertado começou 2016 com 40%, hoje está em 15%. A Bandeira de Melo operava com 100%, está com 67%; a do França caiu de 96% para 41%; a Gasparino despencou de 63% para 41% e Pedra do Cavalo também caiu: de 70% para 63,5%.
Os dados são oficiais. Foram divulgados ontem pelo Governo do Estado em reunião conjunta das comissões de Infraestrutura, Meio Ambiente e Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa, proposta justamente para debater a situação. Apesar dos dados alarmantes, por enquanto a Bahia não corre risco de desabastecimento generalizado. Mas pode acontecer, caso não chova até outubro, quando, então, as barragens entrarão em volume morto.
Segundo os secretários de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (SIHS), Cássio Peixoto, e do Meio Ambiente, José Geraldo dos Reis Santos, o Governo do Estado está trabalhando para enfrentar a seca, considerada a mais severa dos últimos 60 anos. A Cerb perfura poços, a Embasa constrói adutoras, o Inema só libera água para consumo humano em boa parte do Estado, embora a seca atinja hoje toda a Bahia. São 50 municípios com seca fraca; 51 com moderada; 52 em estado grave; 53 em situação extrema e 54 em seca excepcional, conforme classificação da SIHS. O Governo age, garante Cássio Peixoto, informando que barragens vêm sendo construídas, outras ampliadas, novos sistemas implantados, como o fusegate “que aumenta a reservação da água”. Hoje o secretário estará em Brasília, tentando junto à Codevasf e Ministério da Integração, a liberação de mais recursos. Nos últimos dez anos foram injetados aqui cerca de R$ 8 bilhões, em recursos próprios e federais, informam os governantes.
PANORAMA
A Embasa, Empresa Baiana de Águas e Saneamento, trabalha para garantir o abastecimento humano e acabou de construir uma adutora para atender aos municípios de Queimadas e Santa Luz em tempo recorde de 45 dias. Faz operações de reversão para garantir o abastecimento em Salvador e há cidades do interior com até três sistemas de abastecimento de água. O desafio “é conviver com a seca, porque solução definitiva não tem”, adianta Rogério Cedraz, diretor-presidente da Empresa. Por sua vez, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) “faz intervenções nem sempre simpáticas, mas necessárias” para garantir o abastecimento humano, como, por exemplo, bloquear bombas de 97 “agentes econômicos” que sugavam as águas do Rio Utinga, diz Geraldo dos Reis.
A Companhia de Engenharia e Recursos Hídricos da Bahia (Cerb), que atua na zona rural, perfura poços. Serão 800 este ano, informa Marcus Vinícius Bulhões, diretor-presidente. Mas obra só não basta, aponta Rogério Cedraz, da Embasa. É preciso conter o consumo e a população tem que estar consciente disso, assim como é necessário o reaproveitamento da água da chuva. O deputado Bobô (PC do B) também acha. E defende “políticas de convivência e não de combate”, porque a seca sempre vai existir, é um fenômeno que ultrapassa a ação do homem e o faz refém da natureza. Mas Bobô também acha que é necessário haver infraestrutura, para quando a chuva vier, ter como ser armazenada.
Para os presidentes das comissões de Agricultura e Política Rural, Eduardo Salles (PP), de Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos, Fábio Souto (DEM), e Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo, Hildécio Meireles (PMDB), autores da convocação, a reunião de ontem serviu para que a Assembleia Legislativa traçasse um panorama da seca na Bahia, tomasse conhecimento do que está sendo feito para minorá-la e contribuísse para amplificar o debate, levando a gravidade da situação a todos: políticos, imprensa e população.
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